sexta-feira, 29 de setembro de 2017

É o mínimo. E não custa nada. A sério!

As lojas de rua fecham. Os jardins públicos estão mal tratados. Os idosos não têm apoios e as escolas públicas degradam-se. Não há vagas para crianças, não há escolas suficientes, não há acividades que promovem a saúde física e mental dos mais velhos, não há residências assistidas [e não lares] que lhes permitam manter a dignidade sem perder todas as poupanças.  

Não há casas com preços comportáveis, não há rede de transportes públicos que funcione. Não há alternativas ao carro, e o estacionamento não se pode pagar. As obras estendem-se por prazos inacreditáveis, minando os acessos, enchendo as casas de pó, melhorando quase nada, no final. As periferias das cidades perdem gente, ainda que a qualidade de vida seja francamente superior, sobretudo se a juntarmos a custos de vida consideravelmente mais baixos. Mas não há soluções que prendam as pessoas por lá – incentivos fiscais, boas ligações às cidades onde há emprego… 

Não estou a fazer queixas particular, limito-me a juntar todas as que oiço durante anos, no trabalho, em casa, no prédio, no bairro, na cidade, no país. Não é que possamos fazer muito para mudar as coisas – até podemos, mas teimamos em fingir que não é nada connosco. Mas há uma coisa que podemos fazer e que adoramos deixar passar: votar! Votem, minha gente. Se não gostam do estado actual das coisas, votem. Votem no partido da ponta oposta, votem no partido pequeno que nunca lá esteve, votem em branco, mas votem! Mostrem que não estão felizes, que querem mais e melhor. Envolvam-se. Preocupem-se. Escolham, em consciência, quem é a pessoa que está mais interessada nos cidadãos e menos no poderzinho que uma autarquia lhe pode dar. Borrifem-se para a demagogia e para o partido em que os vossos pais votam se não concordam com ele, se a pessoa que o representa não serve. Votem pela mudança. Mas votem. 

Porque este é um direito que demorou tempo demais a ser conseguido para ser ignorado. Não sejam mal-agradecidos a quem lutou pela democracia. Façam alguma coisa pelo estado actual das coisas e deixem de culpar os outros. O que se passa, infelizmente, também é culpa nossa e da nossa falta de exigência, de comprometimento. Comecem pelo mais fácil: vão votar! É o mínimo. A sério: o mínimo.

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