terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Noves fora..

Estive 9 dias fora, em trabalho. Voei para o outro lado do Atlântico, como já fiz tantas vezes, desta vez com o coração apertado e um horroroso sentimento de culpa que me acompanhou até aterrar - o pediatra dela bem me avisou que ia acontecer. Confesso que passou assim que a porta do avião se abriu e senti o cheiro do país que escolhi como pátria de coração. As saudades que eu tinha de viajar, senhores. Sobretudo para ali!, para aquelas ruas que conheço tão bem, para aquele povo de que tanta falta sinto.

Durante 9 dias não fui mãe - excepto no coração: fui jornalista, fui amiga, fui colega de viagem. Durante 9 dias não houve preocupações com horários, sopas, fraldas, roupas, compressas.
Durante 9 dias não houve sonos interrompidos nem noites mal dormidas - houve noites de poucas horas, mas isso são ossos do ofício.

Se me senti terrivelmente culpada em alguns momentos? Absolutamente. Se me soube pela vida? Absolutamente.

É certo que tenho, deste lado, o melhor-pai-marido do mundo, o que facilita todo o processo. Mas a verdade é que este tempo que tiramos para nós, seja para trabalhar ou para nos divertirmos uns dias com os amigos, fazem muita falta. Claro que nos últimos 2 dias só queria entrar no avião e regressar a casa, tais eram as saudades. E receber um abraço assim que ela acordou, na manhã em que eu tinha acabado de chegar - hoje, portanto - foi a coisa mais incrivelmente deliciosa. Ela está enorme, linda, a fazer mais coisas do que quando fui embora. E eu sou uma sortuda por ter uma família que me permite tantas coisas boas.

O pior mesmo foi voltar para o frio. Mas oh well, não podemos ter tudo na vida!, verdade?

[e pronto. o próximo texto é menos sobre bebés que isto também já não se aguenta!]

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Detestei amamentar

Basicamente, é o que tenho para partilhar hoje: eu nunca gostei de dar de mamar, e tenho zero saudades desses tempos - que não sendo tão longínquos quanto isso, são o bastante para já nem os querer recordar novamente.

Não quer isto dizer que não o tenha feito conscientemente e de livre vontade, naturalmente. Desde que soube que estava grávida nunca me passou pela cabeça rejeitar, desde o início, a amamentação. Acho que a natureza é incrível e acredito que o leite materno existe por alguma razão - é ótimo para a criança, ajuda imenso a mãe a voltar à forma física de antes e poupa-se imenso dinheiro. Factos. Mas sempre disse, também, que não ia pensar muito nisso. Se desse, dava; se não desse, não dava que felizmente os leites em pó já são ótimos e não põem em risco a saúde dos putos.

Por sorte, a miúda soube perfeitamente como mamar assim que nasceu. Não tive que me esforçar nada e quando fomos para casa já ela estava novamente a ganhar peso, como se a vida cá fora fosse espetacular. A subida do leite foi um inferno - todas as mães que desistiram nesta altura têm a minha compreensão - e dei de mamar, muitas vezes, com as lágrimas a caírem-me pela cara abaixo. Tendo em conta que eu até sou uma pessoa que suporta a dor lindamente, podem imaginar como foi incrível. Percebi, nesse momento, o que era o amor incondicional pela minha filha, que ainda não era o melhor do mundo. É que, apesar das dores, não me passou pela cabeça desistir. E não desisti.

Passei por uma subida de leite dos infernos, por feridas e por duas mastites. Amamentei a miúda até ela querer - felizmente ela saiu a mim nisso e despachou-me com uma grande pinta pouco depois de começar a comer [bla bla bla, não amamentei em exclusivo até aos seis meses, portanto SPARE ME, que foi tudo muito consciente]  - e se ela não tivesse deixado de querer, eu tinha parado na mesma. Desde que ela nasceu, também, eu tinha imposto um limite até ao qual daria de mamar, que nunca tive muita vocação para vaca leiteira, sobretudo havendo alternativas.

Imunidades passadas - para quem não sabe, bem que lhes podem dar de mamar até aos 10 anos que ali a partir do 5.º/6.º mês já é o sistema imunitário deles a trabalhar, sim? Não se iludam -, primeiros meses feitos, miúda a comer lindamente e cada uma de nós na sua vida e na sua independência. Poupámos uns trocos valentes - uma vénia aos pais que arcam com a despesa dos leites desde o início! Aquilo é caro para burro!! - e ficou toda a gente feliz.

E não, não tenho saudades nenhumas. Embora tenha desgostado menos de a amamentar depois de ter regressado ao trabalho - de alguma forma sentia que aquele era um momento só nosso, antes e depois do bulício do dia - nunca gostei verdadeiramente. Na verdade, nem sequer gostava era nada. E há uns dias, quando visitei uma amiga que foi mãe há pouco tempo e a vi dar de mamar, senti um arrepio absolutamente surreal só de me lembrar de que ainda há pouco tempo era eu quem amamentava.

Se tiver outro filho, naturalmente, tentarei amamentá-lo - não precisam de me crucificar já! -, mas para mim foi algo que nunca perdeu a sua missão absolutamente prática. Havia lá melhor coisa do que poder sair à rua durante o tempo que fosse e a comida da miúda estar sempre pronta? Há melhor coisa do que sabermos que andamos a passar anti-corpos super necessários aos nossos filhos? Claro que tudo isso é mega incrível. Além de que era também bastante barato.

Mas nunca senti aquilo que muita gente diz que sente. Nunca senti a amamentação como a única forma de criar vínculos com a criança, e nunca achei que fosse a coisa mais maravilhosa do mundo. E também não acho que isso seja reflexo de coisa alguma sobre os sentimentos que nutro pela criança.

Isto tudo para dizer que 99% das conversas sobre amamentação me irritam: parece que só se pode ser totalmente a favor e querer amamentar até a criança já andar e pedir mama; ou ser tão contra que nem se quer pensar sobre o assunto. Eu cá acho que cada um deve fazer como bem entender, com a ajuda do pediatra e de muito bom senso.


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