domingo, 17 de julho de 2016

Da maternidade #1

Pais de primeira viagem, havia algumas coisas que já tínhamos definido ainda antes de pequena C. nascer. Uma delas era que não queríamos visitas na maternidade, nem durante, pelo menos a primeira semana, em casa. Algo me dizia que a experiência seria demasiado cansativa para querer ver pessoas - mas confesso que nunca pensei que fosse TÃO cansativa.

A C. nasceu de madrugada, e naturalmente houve família que a quis ver logo nesse dia. Não foram mais de cinco pessoas, mas foi o suficiente para eu chegar ao final do dia exausta. Gostei muito muito de as receber - querida, querida tia M., que chegou e saiu só dando um beijinho e demorando menos de 10 minutos, tão ciente de como isto é difícil -, mas parecia que tinha tido outro filho, à noite. Portanto, modo dramático no dia seguinte: tolerância zero para visitas. Dormi, dormi, dormi, li, vi notícias, dormi - e naturalmente, cuidei da miúda nos entretantos. No final do dia, parecia outra. 

Em casa mantivemos o registo. Houve pessoas que fizeram questão de lá ir - felizmente não se demorando mais que 30 minutos - logo nos primeiros dias, mas estabelecemos um limite: não mais de duas pessoas por dia. E de preferência, vários dias sem ninguém, a seguir. Conseguimos. Temos noção de que há pessoas que podem achar que é má vontade, que somos antipáticos, que é pura implicância, mas vamos lá ver: tivemos um filho. E isso é tão emocional e fisicamente devastador, que não é possível ter paciência ou vontade para ver alguém que não o compreenda. 

Durante os primeiros dias só queremos dormir e que as dores passem: as do parto, as do peito, as do sono, as do coração que não cabe em nós de tanta felicidade mas que se contrai ao mesmo tempo e nem sabemos bem o que sentir, se queremos rir, chorar ou estar só calados a ver o que acontece naquele pequeno ser que agora é parte de nós. Estamos cheios de dúvidas e de inseguranças, e ter pessoas à volta, na verdade, só as agrava em 90% das vezes porque já se sabe que "cada cabeça, sua sentença". E se as pessoas têm sentenças para dar a pais de primeira viagem...

Passado pouco mais de um mês, tendo noção da sorte que temos porque até ver a nossa pequena criança dá-nos boas noites de sono e pouco trabalho - e porque temos família incansável a ajudar com a logística que não conseguíamos organizar - não nos arrependemos um dia de termos optado por 'enxotar as visitas', como também nos aconselharam a minha obstetra e o pediatra dela. 

Não há pior do que ter uma criança que acabou de nascer, precisar de tempo, de disponibilidade para assimilar tudo o que de repente mudou na nossa vida; precisar de proporcionar-lhe o tempo de que ela precisa para não ficar nervosa com tudo o que tem para apreender nesta chegada ao mundo, e ter a casa cheia de gente que quer fazer conversa, que quer atenção, que quer mexer no bebé, estimulá-lo quando ele só precisa de sossego, que obriga a que façamos café, ofereçamos lanche por cerimónia, enfim...

Sabemos, todos, que as pessoas não fazem por mal, mas sim por bem. Que visitam porque gostam de nós e querem conhecer a criança. Mas acreditem, queridos amigos, que mostram muito mais que gostam de nós se não nos visitarem durante os primeiros dias. E vocês, mom-to-be, não se acanhem a pedir às pessoas que não apareçam. Pela vossa saúde!, pela calma das vossas crianças, pela sanidade mental do casal, não se acanhem. E um conselho precioso: se forem os pais a dizer às pessoas que a mãe e o bebé precisam de descanso, toda a gente aceita muito melhor ;) 

Believe me.

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