sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Podiam ser os nossos filhos.

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Para todos os que apregoam que o Natal é das crianças. Para todos os que acham que Natal é dar. Para todos os que reconhecem o verdadeiro sentido do Natal - nascer. Para todos os que não são indiferentes. Por favor, por favor, não deixem de ajudar estas crianças, estas pessoas. Natal é dar aos outros a possibilidade de nascer. É dar. É dar-mo-nos. Por enquanto, há pouco mais que possamos fazer. Mas se cada um de nós comprar menos um presente e usar esse dinheiro para ajudar estas crianças, estas pessoas, estaremos a deixar o mundo um pouco melhor. Por favor. Estas crianças podiam ser os nossos filhos...

Estão aqui três organizações que fazem trabalho de apoio na Síria. Escolham uma e doem. Qualquer euro é bem-vindo!

Médicos sem fronteiras
Presumo que esta dispense apresentações. Estão a dar o seu melhor numa altura em que praticamente já não há médicos Sírios em Alepo e em que o material médico está em falta.
Preemptive Love Coalition 
Esta ONG ajuda a prover as mais básicas necessidades às pessoas desalojadas: cuidados médicos, abrigo, água e comida.Para além disso ajuda-os a recomeçar a vida, apoiando a procura de emprego e a reintegração das crianças em colégios. Já ajudam mais de 20 mil pessoas.
Syria Relief  
Esta foi a organização que escolhemos para ajudar: porque para além do abrigo, da comida e da educação, ela dá também apoio psicológico a estas pessoas, profundamente traumatizadas por acontecimentos que não conseguimos sequer imaginar o que são.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Problemas sinápticos

Não sei o que acontece ao cérebro de algumas pessoas depois da maternidade - quer dizer, sei o que acontece em termos de memória e em termos de aflição constante, mas não é disso que estou a falar. Há coisas que claramente me estão a passar ao lado neste 'mundo das mães' que me deixam a pensar se sou eu que sou louca.

Por exemplo, chamarem mães às mães. No Facebook, na rua, nas escolas, no médico. "A mãe quer entrar? A mãe não veio à reunião. É a mãe que está a falar? Oh, mããããe". Nas redes sociais, o que é ridículo torna-se somente ainda mais ridículo. É que repare-se: o nome das pessoas aparece. Verdade?

Acho maravilhoso que todas as perguntas em qualquer grupo de mães (!!) comece com: "Mães!", ou "Mães que tudo sabem" (é mentira..). Podemos evitar o vocativo e dizer somente: "Olá! Será que alguém me pode ajudar?" Assim como fazemos se estivermos a escrever um mail. Ou a escrever no nosso Facebook para ninguém em particular. O que acham?

É que depois isto desenvolve do "Mães que tudo sabem" para um tratamento generalizado pelo vocativo 'Mãe'. A título de exemplo, a Maria faz uma pergunta e eu respondo. Ora, na minha resposta aparece o meu nome, verdade? A Maria podia dizer: "Obrigada, Margarida, bla bla bla..." Mas não. A Maria vai dizer: "Obrigada. mãe". WHY?? WHYYYYY?  Eu não sou mãe das pessoas! Não me tratem por mãe se não são meus filhos. É que não faz sentido. É como chamar Engenheiro a toda a gente só porque sim. É disparatado.

Outra coisa que me tira do sério são as certezas. TODA a gente tem TODAS as certezas do mundo depois de parir. É uma cena que deve ter acontecido a milhões de pessoas menos a mim. O fenómeno é exponenciado [mais uma vez, lá está] pelas redes sociais. Por exemplo, se a minha filha estiver doente ou com algum sintoma que eu não consiga identificar, o que geralmente faço é ligar ao médico. Ou enviar-lhe um email - no qual até posso colocar anexos com fotos da miúda, se se justificar. Porquê? Bom, porque ele é que é o médico, verdade? Mentira. Pelo que me apercebi, as "mães que tudo sabem" são ótimas médicas. Portanto, assim que começam os sintomas, as pessoas não só atiram fotos e textos a elencar todos os sintomas da criança como perguntam: "O que acham que é?" Ou melhor ainda: "Que dose de que medicamento devo dar?"

WAKE UP, people! A sério. As "mães que tudo sabem" são mães. Que não sabem tudo. E que não são médicas. E de repente vocês chegam ali e têm dez diagnósticos diferentes e dez remédios diferentes e acham que tudo é verdade porque se está no FB é verdade mas NÃO É!

Eu acho ótima a existência de grupos de Mães. Dá para partilhar experiências, referências, opiniões sobre escolas, fazer doações, troca de roupa, you name it. Mas não façam das coisas mais do que elas são. Pela vossa saúde, pela dos vossos filhos e pela sanidade mental de que m está a ler tudo isso! Pode ser?

Obrigada


quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Pela igualdade

Cá em casa as tarefas são divididas. Não tem que haver uma ordem específica, mas basicamente toda a gente – ou seja, eu e ele – faz tudo: pode ser um de nós a fazer o jantar, a pôr a mesa, a fazer a cama, a pôr roupa a lavar, estendê-la ou apanhá-la. Posso ser eu a ter jantares de rajada e a deixá-lo com a miúda ou acontecer ao contrário. Portanto, significa que há dias em que posso ser eu a dar banho, jantar e pô-la na cama e outros em que pode ser ele. Na maioria dos dias somos os dois, o que é bem mais fixe.

Mas o que é curioso é que para o comum dos mortais, eu é que tive imensa sorte com a pessoa com quem casei – e tive! – porque ele faz tudo. Imagine-se! Imagine-se que um dos habitantes da casa faz exatamente o mesmo que o outro. Onde é que já se viu uma pessoa cozinhar, arrumar a cozinha, tratar da filha? Onde? Ainda no outro dia a minha mãe me dizia que eu tinha imensa sorte porque, quando cheguei do ginásio, ele já tinha tratado da miúda e já a tinha posto na cama. Eu só tive que me sentar e jantar, que a comida estava pronta e a mesa posta. “Ah, que sortuda!”. Eu ri-me. E perguntei: se tivesse sido eu a ficar em casa, a tratar dela, a fazer o jantar e a esperar que ele viesse do ginásio dizia o mesmo?” A minha mãe deu uma gargalhada, porque no fundo sabe que o que disse é disparatado. Mas está-nos inculcado na sociedade.

Por exemplo, há umas semanas estávamos a almoçar com uns amigos, numa esplanada, e o João estava a dar a sopa à miúda. A empregada chegou e disse-me: “Ai é o pai que dá a sopa?”. Eu respondi que sim. Que ele até o fazia melhor do que eu. A senhora olhou-me com desdém e foi à vida dela. Eu ri-me. O João riu-se.

Felizmente, os homens são cada vez mais assim: inteligentes o suficiente para perceber que o mundo mudou. Que tanto eu como ele trabalhamos – quando eu estive de licença era eu que tratava das coisas em casa, por razões óbvias –, e que nenhum de nós tem primazia sobre o outro. Que temos os mesmos direitos e os mesmos deveres. É claro que isto para os homens também é um processo violento: porque há sempre os outros homens idiotas – até mulheres, sobretudo mães e sogras – que acham que tratar dos filhos ou da casa os diminui, de alguma forma, na sua virilidade. Porque há chefes que acham que as mulheres é que têm esse dever – e depois lá entramos nós na conversa sobre o facto de as mulheres não chegarem a cargos de chefia – e portanto fazem um escândalo quando o pai diz que tem que ficar em casa porque o filho está doente.


Eu acredito que a educação se faz pelo exemplo. Acredito que a minha filha vai perceber que lá em casa o pai e a mãe são iguais no que toca a direitos e deveres. Que vai crescer a querer essa justiça, a procurar pessoas que pensem como ela e a evangelizar as que não pensam. E se todos nós fecharmos a boca quando estiver para sair algo como “ele ajuda-te em casa?”, o mundo mudará muito mais depressa do que julgamos possível. 

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

[Reposting] Depressão.


Eu tinha dezoito anos e um mundo cheio de sonhos. Foi o primeiro ano de faculdade, a vinda para a capital, uma imensidão de coisas para descobrir, uma imensidão de medos para ultrapassar.

Ela chegou, devagarinho, como chegam sempre. Sem se desconfiar que eu sou uma pessoa de responder sempre o mesmo: "Está tudo bem!" ou "Estou ótima!". Foi-se instalando, facilmente, numa cabeça que estava mais cheia de solitude e de medos do que de força e de coragem. Os telefonemas, de um amor proibidíssimo, repetiam-se mas não aliviavam a dor. Na verdade aumentavam-na da proporção do bom que eram aquelas minutos de amor, de carinho, de ternura, de entrega.

Eu, pessoa de pensar pouco e falar muito, dava por mim horas a fio a olhar para o vazio e a sonhar com coisas que sabia não serem possíveis. Mas entre o que sabemos e aquilo em que queremos acreditar vai uma distância enorme que pesa no coração porque deixamos - sim, porque deixamos. De olhos presos em outro lugar que não o telefone, sorria num esgar de dor cada vez que recebia um sms ou um telefonema. Porque, novamente, era tudo tão bom quanto tão mau se adivinhava.

Os encontros furtivos, as promessas sonhadas a dois - que ambos sabíamos que nunca iriam acontecer - as ausências, a dor, a dor, a dor. Fui perdendo peso e horas de sono. Cheguei a menos de 50 quilos em menos de nada e a minha mãe - atenta, Mãe com letra grande - atirou-me para o consultório médico antes de eu ter tempo  [ou vontade] de reagir. A única coisa que sabia fazer, naquela altura, era chorar. Chorava, tomava remédios para a dor de cabeça que não me largava porque não dormia e obrigava-me a colocar alguma comida na boca só para conseguir arrastar-me para a faculdade.

Miraculosamente fiz todas as cadeiras nesse semestre. Ainda hoje não sei como, porque a única imagem que tenho é a minha, sentada à secretária, a olhar durante três horas para a mesma folha de papel sem conseguir ler o que lá estava escrito. E os dias de febre, de cansaço, de exaustão pura de mim própria.

Com mais remédios na mala e uma depressão diagnosticada, valeu-me, já na altura, o João. A primeira e das únicas pessoas que soube o que se passava, e que, sem uma pergunta, tomava conta de mim. Era ele que controlava as horas dos remédios, durante o dia; era quem me ia buscar à noite para ir passear; era quem me tirava de casa quando eu só queria ficar enrolada no sofá a olhar para uma televisão que ia passando programas aleatórios.

Nos tempos seguintes tive alguns laivos de consciência. Com noites de sono decentes e a ajuda preciosa dos meus pais, decidi que era demasiado nova para aquilo. Parei de tomar a medicação e decidi que não iam ser remédios a controlar-me a vida. Que seria!! Num esforço [que senti como] sobre-humano decidi controlar a minha vida. Não que doesse menos. Não que sofresse menos. Mas tinha que ser eu. Isso eu sabia: tinha que ser eu a controlar a minha vida, a minha vontade, a minha alegria ou tristeza. Recusava-me [também] que fosse um homem, um sentimento por um homem, a fazê-lo.

Durante quatro ou cinco anos lutei contra o azedume que se quis instalar na minha vida porque estava furiosa. Sentia-me enganada, trucidada por mim própria. Sentia-me uma idiota por ter acreditado, mesmo sem querer, em algo que sempre soube ser impossível. Por ter tido esperanças infundadas, mas cheias de uma amor tão puro que nunca desapareceu. Durante anos deixei de olhar para o mundo e para as pessoas e esqueci-me de que tudo passa. Senti a falta dos amigos, a quem não falava do que estava a passar [tonta!] e cuja ausência sentia no meu coração porque achava que não se preocupavam comigo. Durante esse tempo, esqueci-me também de que só nos é dado aquilo que podemos suportar.

Hoje, quando olho para trás, sei que não poderia ter sido de forma diferente, embora adorasse não ter passado por uma depressão. Sobretudo assim, tão nova. Hoje, quando olho para trás, consigo sorrir e perceber tudo o que aprendi com alguém que sei, realmente amava e que me amava. Hoje consigo perceber que sou muito mais forte e muito mais 'amor' porque passei por isso.

Não sei porque decidi escrever sobre este assunto agora.  De alguma forma, creio que senti uma necessidade catártica de o fazer. E porque sei quão bom é saber que há pessoas que já passaram por aquilo que tatnas pessoas poderão estar agora a passar. A essas, posso dar três conselhos:

1. Peçam ajuda e não se fechem em vós próprias;
2. Escrevam num papel todas as coisas boas que a vida já vos deu. Leiam-no todos os dias;
3. Aceitem o problema, aceitem a ajuda e nunca desistam.

*Texto publicado originalmente em Fevereiro de 2014. Por razões várias hoje lembrei-me dele e pareceu-me bom voltar a publicá-lo.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Caso de estudo

A pessoa anda empenhada: não só vai ao ginásio como cumpre as consultas de nutrição que lhe pedem para fazer, ouve com atenção, alimenta-se decentemente que ainda tem que comer por dois e dorme pouco...enfim. Mas a meio da consulta ouve isto: "É um caso de estudo..". Sou um..oi? "É um caso de estudo! De verdade".

E por que sou eu um caso de estudo, perguntam vós?

Ora, porque confessei à nutricionista que um pacote de frutos secos era coisa para me deixar cheia de fome na mesma - "mas mesmo depois de comer o pacote todo??", perguntou de novo. E eu encolhi os ombros: sim. É que fico mesmo. E não é um ratinho, é uma fome igualmente avassaladora.

Portanto, a parte boa desta consulta foi que ela me disse para eu continuar a comer como tenho feito até aqui: aumenta peça de fruta aqui, retira leite ali, mas no cômputo geral, parece que até me alimento bem. Aplaudiu os meus hidratos de carbono à noite, pediu para comer mais pão escuro - ah!, o meu pãozinho alentejano... - e foi isto. Tudo para ver se ganho mais músculos e, consequentemente, mais peso.

Há dias que terminam de forma pior!, de facto.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

De quem parte

No outro dia, a minha prima-irmã dizia-me que “quando chegamos a esta idade achamos que os amigos que temos são os que ficam. De repente, acontecem coisas destas”. Referia-se a um caso concreto que lhe aconteceu e pôs-me a pensar em tantos que este ano me trouxe.

As amizades, de facto, têm graça. Para além de ser boas, mesmo boas, quando o são, têm também a magia de, afinal, não serem nada daquilo que pareciam. É o que dá quando há duas pessoas na equação que acham que estão no mesmo mood até..não estarem.

Já escrevi aqui várias vezes que não sou pessoa de muitos amigos. Não sou. Tenho poucos, muitos vêm de há muitos anos, não tenho grupos coesos de amigos e claramente tenho pouca habilidade para os manter. Isso dever-se-á, eventualmente, à minha ideia tonta de que os amigos existem para que sejamos sempre sinceros com eles e de achar que não devo ter pruridos em 1)dizer-lhes o que penso; 2) ser quem sou. Mas apesar de isto ser algo muito claro na minha cabeça, continuo a surpreender-me com as pessoas – pelo menos não perco a capacidade de me surpreender e consta que isso nos rejuvenesce. Este ano houve várias pessoas que saíram da minha vida. Depois da surpresa – até porque algumas não percebi realmente porque o fizeram, ainda hoje – veio a tentativa de entender e depois disso, a resignação. Este ano tem sido uma boa lição de resignação. Não é que tenha desistido deles; simplesmente aceitei que eu não lhes faço sentido. E se isso antes me angustiava, agora vivo bem com o assunto. E até dou por mim a pensar: se calhar é mesmo melhor não estarem por cá. Não é incrível?

Isto não significa que não tenha avaliado o meu papel neste desfecho: fiz algo para isto acontecer? Tratei mal a pessoa? Não estive presente? Desleixei-me? Arrependo-me do caminho que traçámos juntos? Se a resposta é não a todas as questões anteriores, só há uma coisa a fazer: let it go. Porque às vezes as pessoas simplesmente não querem ser nossas amigas. E se isso por um lado custa [afinal, quem gosta que ‘desgostem’ de nós?], por outro lado é bastante revelador: se calhar estamos efetivamente em caminhos opostos e já não temos nada de bom para nos dar. Porque não vivemos a vida da mesma forma.


Mas o melhor disso tudo é perceber que não abdicaríamos do nosso caminho – e dos que ficam – para ir atrás daqueles que um dia se disseram amigos. E isso é reconfortante: é sinal de que estamos no percurso certo. 

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Mulheres em cargos de topo

Quando um homem conseguir, no espaço de uma hora e meia, ir a um encontro importante, voltar a casa, apanhar roupa, estender roupa, fazer sopa, temperar o jantar do dia seguinte e voltar a sair para ir ao ginásio (really? eu?), venham falar-me de que as mulheres não são adequadas para cargos de topo ou continuem a atirar-me para os olhos as vossas ideias machistas [e idiotas].

Obrigada.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Solitária

O tempo de licença de maternidade é profundamente solitário. Lamento, mas é. Um bebé é uma coisa maravilhosa, é um amor que não se sabe explicar, é um turbilhão de emoções - muitas boas e algumas más. Sim, más.  Mas este tempo, em que somos só nós e o bebé, é maravilhoso mas também é profundamente solitário. Por várias razões e nem todas solucionáveis.

1. Primeiro começa o turbilhão de emoções ao qual se junta o cansaço. É durante as primeiras semanas em que (a opção foi nossa) o melhor é mesmo não ter ninguém em casa a visitar-nos. É muita coisa a assimilar, muita coisa para aprender, muito desconforto para gerir: as dores, a subida do leite, a rotina da comida numa cadência parecida à de um relógio suíço, o novo registo de uma vida a três. Aqui em casa a miúda até nos facilitou a vida, mas não imagino o que passam pessoas que não tiveram a nossa sorte e que ficam privadas de sono até à exaustão;

2. É a constante sensação de impotência e de desconhecimento. E mesmo os conselhos - excepto, eventualmente, os que nos chegam das mães - caem mal. (Por isso é que também optámos por não ter visitas no início). Não é controlável. São muitas hormonas e muito nervosismo que não se compadecem quando as pessoas acham que sabem tudo e nos fazem sentir ainda mais que não sabemos coisa alguma: não abanes o carrinho que a habituas mal; ela deve ter fome; isso são cólicas; está com as mãos frias; está com as mãos quentes; põe mais um casaco; tira o casaco; deves ter pouco leite ou ser fraco; esse sling é super quente; o ovo é desconfortável, não a habitues à chupeta...bom, enfim. Aprendemos a ouvir e a calar, o que é também, em si, uma tarefa bastante solitária;

3. De repente, a vida muda. Muda mesmo, apesar de nem parecer que muda assim tanto: ficamos muito mais tempo em casa, e no caso de termos sorte, despachamos uma quantidade de séries e livros durante as sestas da criança. Saímos para tomar café, ler o jornal e ver pessoas mas não há jantares com amigos (no limite há almoços e com pouca gente por causa do barulho). Vamos a festas de casamento ou batizado mas saímos da sala assim que damos três garfadas por causa do barulho. Passamos o tempo a passear a criança ou a dar-lhe comida, ou a ver se dorme num lugar sossegado, silencioso e portanto... Com quem? Com o bebé, somente;

4. Adoramos comentar o telejornal, as revistas, as séries e os livros com a criança que nos faz companhia. O problema? É que basicamente ela não responde. Ou, com sorte, diz um "aguuu" ou "abbrrbrrrbrb". E nós ficamos contentes com isso. Ou quando ela sorri. Fingimos que foi mesmo pelo que dissemos e ignoramos que estamos a falar com um bebé. Só para nos sentirmos menos sozinhas;

5. Almoçar - e se temos que nos alimentar bem, mãe do céu, que a amamentação faz uma fome disparatada - também é extremamente interessante. Sobretudo quando temos que pensar no almoço. E até nos entusiasmamos a cozinhar, quando o bebé já tem dois ou três meses (sempre é algo que puxa pelo nosso intelecto) mas depois sentamo-nos à mesa sozinhas. E afinal aquele prato sabe melhor é acompanhadas...

6. À nossa volta, a vida continua: as amigas continuam a ir jantar fora e sair; combinam-se brunches, pequenos-almoços, jantares de grupo. E nós saltamos os jantares porque os bebés se deitam às 20h e há, claro, a birra das 19h; almoços só se for na esplanada; brunches não dá muito jeito que é mesmo ali entre a sesta da manhã e a maminha da hora de almoço; sair à noite...bom. Sentimos que estamos a perder todos os acontecimentos, mesmo que não estejamos, e que no regresso (qual regresso?) já não conseguiremos acompanhar a carruagem;

7. No final do dia, quando o pai do bebé chega a casa, atiramo-nos a ele de tal forma qual bóia de salvação que não sei como é que há tanto casamento a aguentar os primeiros meses de um filho: aguentam o nosso mau humor daquele dia porque dormimos menos do que era suposto; a alegria de ter um adulto com quem conversar; a neura de ter estado sozinha o dia todo e ainda por cima com o bebé a fazer birras absolutamente épicas; a sofreguidão por assuntos do mundo exterior; a impaciência ao ouvir mais um choro...e para além da nossa bipolaridade ainda leva com a criança em cima porque "agora é a tua vez" :D Só que a meio da noite, quando estamos sozinhas a dar de mamar à criança e toda a casa dorme, no silêncio que só deixa ouvir aqueles golos pequeninos, voltamos a sentir quão solitária é esta tarefa;

8. Nós desaparecemos. Não literalmente, mas às vezes sentimos que sim: ninguém pergunta como está a mãe. Ninguém. A única coisa que passa a interessar é o bebé. As pessoas vão mandar mensagens a perguntar pelo bebé; ligar para saber do bebé; mandar mails a pedir fotos do bebé. "Onde está o bebé? Como está o bebé? Comeu bem? Dormiu bem? Fez cocó?(really?)" Tirando raras e honrosas excepções, ninguém quer saber como vocês estão...se estão a falar e a responder, devem estar bem;

Ninguém tem culpa de isto ser assim. É o que é, e é assim há muito tempo e sinceramente não sei se vai mudar. Por outro lado, o 'baby blues' existe mesmo - não é preciso ser uma depressão pós-parto - e isso também não ajuda ao humor de uma recém-mãe, que às vezes precisa mesmo de chorar (chorem, a sério. Só faz é bem!) e as pessoas têm dificuldade em perceber isso. Portanto, mais vale não estar ao pé das pessoas. Mas depois sentimo-nos sozinhas e...enfim, é um ciclo vicioso ;)

Isto tudo para dizer que sim!, a maternidade é uma coisa maravilhosa e estar em casa é incrível para além de absolutamente necessário (ninguém aguenta não dormir noites seguidas durante meses e ter o cérebro  a trabalhar decentemente). Mas é realmente uma tarefa profundamente solitária e difícil para uma mulher.

Por isso, confesso que tenho o coração absolutamente dividido, e perigosamente a pender mais para um lado do que para outro: é que apesar de ser incrível poder olhar para miúda a todas as horas do dia!, preciso absolutamente de voltar a trabalhar. De estar com adultos. De não estar sozinha.

Ups. I said it.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Perdi a cabeça (e o amor ao dinheiro)

e inscrevi-me no ginásio. Algo que não acontecia há demasiados anos. Será que é desta?

[Ainda nem acredito bem que fiz esta maluquice. A ver quanto tempo dura...]

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

And so...

The countdown really begins. Quem diria que passaria tão rápido?*

*e quem diria que até estávamos desejosos do momento?

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Tudo mal.

Ontem, enquanto descia a rua de São Bento, vi uma senhora dos seus 50 anos, passo apressado e carregada de sacos que tinham roupas, provavelmente comida e demais objetos que não consegui identificar - nem é relevante para o caso. A senhora caminhava, com ar cansado de 19h e não das 15h que marcava o relógio, olhos postos no caminho que fazia - sinuoso como só as ruas de Lisboa às vezes sabem ser.

A senhora, que não me viu enquanto eu passava de carro, confortavelmente sentada e sem cansaço de maior, fez-me pensar que está tudo errado na forma como vivemos. Só pode estar tudo errado, continuava a minha cabeça a dizer-me. Vamos por pontos, para ver se fica claro aquilo que me tem passado pela cabeça:

1. Já olharam para a vossa vida? Verdadeiramente? Quantos de nós podemos dar-nos 'ao luxo' de não ter mês a sobrar no final do salário, depois de pagas as contas? Quantos de nós achamos, aliás, que é um luxo almoçar ou jantar fora, comprar uma peça de roupa, comer um bife do lombo ao jantar? Isto é vida? Passar o dia a trabalhar para pagar contas e, no final do mês, não conseguir sequer podermos dar-nos um mimo?

2. Para onde queremos realmente ir? O que nos interessa? Trabalhar estupidamente, eventualmente em algo de que nem gostamos particularmente, para podermos ter dinheiro sem nos aborrecermos, fazermos viagens, aproveitarmos as coisas boas de vida? Ou simplesmente trabalhar porque não temos alternativa, e ainda assim, no final do mês não ter dinheiro para aquilo de que gostávamos, não podermos escolher o destino de férias que queremos porque o orçamento não chega...Pior: para termos dinheiro temos que nos matar a trabalhar ou fazer algo de que não gostamos? Por que é que os trabalhos não são, simplesmente, justamente pagos? Acham que não têm a culpa? Têm. Temos todos: quando exigimos menos, quando nos impomos menos e quando nos resignamos;

3. Qantas vezes vêem as pessoas de que gostam? Nós temos amigos a viver na mesma rua, no mesmo bairro, na mesma cidade. Não os vemos, sequer, uma vez por semana; raramente uma vez por mês. Os dias são passados a correr entre trabalho, supermercado, coisas para tratar, e no final das contas, não há dinheiro nem tempo nem paciência para estarmos com quem gostamos. Para estar, somente. Há dois anos lembro-me de combinar com umas amigas que tínhamos que jantar uma vez por mês (parece razoável, verdade?). Jantámos juntas 3 ou 4 vezes no ano. Pois.

4. Os fins-de-semana são realmente fins-de-semana? Ou seja: os dois dias servem para fazer somente o o que vos apetece; para descansar; para aproveitar a vida? Ou são extensões do trabalho, das tarefas domésticas? Sempre que tentamos marcar finais de semana com alguém, apercebemo-nos de que não é possível: as pessoas ou estão a trabalhar, ou têm compromissos domésticos, ou têm que adiantar algo...

5. Ter que, ter que, ter...Arrisco-me a dizer que estamos todos tão focados no que temos que fazer que nos esquecemos do que gostamos de fazer. Às vezes não temos que fazer nada. Era importante de vez em quando pensarmos pela nossa própria cabecinha e perceber que a vida é mais do que ter que fazer coisas e do que ter que ter coisas. Era importante perceber que mais importante do que ter é ser. E estar. Se todos nos esforçássemos mais para ser e estar, desconfio de que havia muito menos gente infeliz.

Resumidamente, a senhora que calcorreava em passo apressado as ruas de Lisboa fez-me pensar demasiado. E fez-me perceber que a vida é muito mais do que aquilo que tenho feito dela, ainda que me esforce para que seja eu a tomar conta dela e não o contrário. Fazia-me falta encontrar mais vezes senhoras como aquela: para me lembrar de que somos nós quem ditamos as regras do caminho a seguir, e não o contrário.


segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Ginás...what?

Se tiverem a vossa rua em obras há mais de seis meses, o que vos obriga a estacionar quase a meio quilómetro; se o carrinho da vossa criança tiver ido para arranjar; se tiverem coisas para fazer fora de casa todos os dias; se tiverem que carregar o ovo (e a criança) durante, esse meio quilómetro pelo menos duas vezes ao dia; se tiverem que carregar às costas a tralha toda porque - lá está - o carrinho avariou, e isto tudo debaixo deste calorzinho da capital, garanto-vos que não precisam de ginásio!

Aliás, acho que vou aproveitar até para fazer exercício mais vezes ao dia para ver se acumulo músculos para o Inverno. Só ainda não arranjei forma de trabalhar os abdominais durante esta sequência, mas acredito que lá chegarei muito em breve.

E os vossos dias, hum? :)

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Sete anos!

Há precisamente sete anos - se a memória e respectivos ajudantes da mesma não me falham - aterrava novamente em São Paulo para me tornar, 'oficialmente', numa Foca. Nunca a transformação num animal me pareceu tão apelativa como na altura. E nunca, nunca me arrependi de a ter feito. 

Há sete anos, precisamente, entrava a entrar sozinha na casa da querida amiga-irmã, que me recebeu de braços e coração aberto quando ainda não sabíamos que seríamos amigas-irmãs para sempre. 

A melhor vista da cidade 
Há sete anos a minha vida começaria a mudar para sempre: estagiar num dos maiores jornais de um dos maiores países do mundo só pode fazer-nos crescer, e como. Viver - viver, mesmo - num país que podia ser nosso, transforma-nos. Trabalhar com pessoas que têm mais anos de jornalismo do que nós de vida, transforma-nos. Ter que começar do zero, sem uma pessoa sequer na nossa agenda de contactos, transforma-nos. Não ter rede de apoio transforma-nos. 

Conhecer um povo que é tão diferente daquele a que pertencemos, transforma-nos. Ser parte dele, transforma-nos. Passar por tentativas de assalto, ser tratadas pela nossa amiga-irmã, superar tudo isso fora do nosso ambiente familiar, transforma-nos. Celebrar o final da etapa rodeada de pessoas que entretanto se transformaram em nossos amigos, alguns deles para a vida, transforma-nos.

Há sete anos Dilma ainda não tinha sido eleita para presidente. Hoje, precisamente hoje, luta para se manter como líder máximo do país que também já é meu de coração. Há sete anos foi anunciado que o Brasil iria organizar o Mundial de 2014, e eu celebrei como se tivesse sido Portugal a ganhar a corrida. Há sete anos eu sabia quase nada sobre tudo. Hoje sei um pouco mais, mas ainda tão pouco.

Hoje, sete anos volvidos, o meu coração é todo gratidão pelas pessoas que me permitiram as aventuras e pelas que se cruzaram comigo - pelas que entretanto foram e pelas que decidiram ficar na minha vida. Hoje, sete anos volvidos, a pessoa que eu sou é muito e muito pouco da pessoa que aterrou em Guarulhos para se transformar numa 'Foca'. Hoje, a 'Foca' está mais crescida mas continua a querer ser uma 'Foca': curiosa, expedita, atenta, brincalhona. 

Não cabem aqui as palavras que seriam precisas para lembrar, para agradecer tudo aquilo que o Brasil fez por mim. Não cabe no meu peito a gratidão e a alegria por, um dia, ter arriscado. Não cabe.


PS - Dizem que aos sete anos as relações sofrem uma crise. Por aqui continua tudo bem. Ainda sou apaixonada pelo país que fica do lado de lá do Atlântico. E adensam-se as saudades, a cada ano que não são aplacadas. Só para quebrarmos a tradição.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Três casamentos e três batizados

Podiam ser quatro casamentos e um funeral - também os houve - mas não: este ano são três casamentos e três batizados e a ver se não aparecem mais eventos ao longo dos meses que ainda restam. E porque é que isto é tão difícil? Porque a pessoa não tem roupa para tudo. Ou melhor, os vestidos até abundam aqui por casa, mas isto agora requer outras necessidades e portanto complica a vida.

Sobretudo quando há pessoas que avisam duas semanas antes (hello, noivos loucos!! :D) que vão casar. Portanto, contas feitas: já houve dois batizados e dois casamentos, e ainda faltam mais um de cada, separados por duas semanas. Com os mesmos convidados. Como é que uma pessoa faz? A sério! Como-é-que-uma-pessoa-faz!?

[Não fosse eu gostar tanto de festas e a coisa seria ainda mais complicada. Nossa Senhora me valha e guarde!]

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Ah, o fail das novas tecnologias

Aquele momento em que a pessoa quase não tem comida em casa, tenta fazer compras online e o site está em baixo. Há HORAS!! Fazer o quê?

Humpf.

domingo, 17 de julho de 2016

Da maternidade #1

Pais de primeira viagem, havia algumas coisas que já tínhamos definido ainda antes de pequena C. nascer. Uma delas era que não queríamos visitas na maternidade, nem durante, pelo menos a primeira semana, em casa. Algo me dizia que a experiência seria demasiado cansativa para querer ver pessoas - mas confesso que nunca pensei que fosse TÃO cansativa.

A C. nasceu de madrugada, e naturalmente houve família que a quis ver logo nesse dia. Não foram mais de cinco pessoas, mas foi o suficiente para eu chegar ao final do dia exausta. Gostei muito muito de as receber - querida, querida tia M., que chegou e saiu só dando um beijinho e demorando menos de 10 minutos, tão ciente de como isto é difícil -, mas parecia que tinha tido outro filho, à noite. Portanto, modo dramático no dia seguinte: tolerância zero para visitas. Dormi, dormi, dormi, li, vi notícias, dormi - e naturalmente, cuidei da miúda nos entretantos. No final do dia, parecia outra. 

Em casa mantivemos o registo. Houve pessoas que fizeram questão de lá ir - felizmente não se demorando mais que 30 minutos - logo nos primeiros dias, mas estabelecemos um limite: não mais de duas pessoas por dia. E de preferência, vários dias sem ninguém, a seguir. Conseguimos. Temos noção de que há pessoas que podem achar que é má vontade, que somos antipáticos, que é pura implicância, mas vamos lá ver: tivemos um filho. E isso é tão emocional e fisicamente devastador, que não é possível ter paciência ou vontade para ver alguém que não o compreenda. 

Durante os primeiros dias só queremos dormir e que as dores passem: as do parto, as do peito, as do sono, as do coração que não cabe em nós de tanta felicidade mas que se contrai ao mesmo tempo e nem sabemos bem o que sentir, se queremos rir, chorar ou estar só calados a ver o que acontece naquele pequeno ser que agora é parte de nós. Estamos cheios de dúvidas e de inseguranças, e ter pessoas à volta, na verdade, só as agrava em 90% das vezes porque já se sabe que "cada cabeça, sua sentença". E se as pessoas têm sentenças para dar a pais de primeira viagem...

Passado pouco mais de um mês, tendo noção da sorte que temos porque até ver a nossa pequena criança dá-nos boas noites de sono e pouco trabalho - e porque temos família incansável a ajudar com a logística que não conseguíamos organizar - não nos arrependemos um dia de termos optado por 'enxotar as visitas', como também nos aconselharam a minha obstetra e o pediatra dela. 

Não há pior do que ter uma criança que acabou de nascer, precisar de tempo, de disponibilidade para assimilar tudo o que de repente mudou na nossa vida; precisar de proporcionar-lhe o tempo de que ela precisa para não ficar nervosa com tudo o que tem para apreender nesta chegada ao mundo, e ter a casa cheia de gente que quer fazer conversa, que quer atenção, que quer mexer no bebé, estimulá-lo quando ele só precisa de sossego, que obriga a que façamos café, ofereçamos lanche por cerimónia, enfim...

Sabemos, todos, que as pessoas não fazem por mal, mas sim por bem. Que visitam porque gostam de nós e querem conhecer a criança. Mas acreditem, queridos amigos, que mostram muito mais que gostam de nós se não nos visitarem durante os primeiros dias. E vocês, mom-to-be, não se acanhem a pedir às pessoas que não apareçam. Pela vossa saúde!, pela calma das vossas crianças, pela sanidade mental do casal, não se acanhem. E um conselho precioso: se forem os pais a dizer às pessoas que a mãe e o bebé precisam de descanso, toda a gente aceita muito melhor ;) 

Believe me.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Não há receitas. Pois não?

Esta coisa da maternidade tem que se lhe diga: por um lado, somos assolados por uma quantidade de novos sentimentos que nem sequer sabíamos possíveis. Por outro, o cansaço, os receios, as dúvidas, as frustrações. Junta-se ainda a isto as alterações hormonais e as alterações físicas: a barriga da mãe que apesar de sem bebé lá dentro continua deformada, o peito do tamanho do mundo, o leite que de repente se torna uma realidade.

E claro, as noites mal dormidas porque é preciso alimentar e limpar esta coisa fofa que nos caiu de pára-quedas cá em casa, e a constante surpresa por não estarmos mais cansados apesar dos sonos entrecortados e do tanto que há para fazer...

Por aqui não nos queixamos: temos estado tranquilos (diz que temos sorte com o modelo que nos calhou em sorte), conseguimos dormir umas quantas horas, temos mantido a casa sossegada - tenho para mim que não há pior para crianças pequenas que muita agitação, pessoas em redor, barulho, colos e afins - e temos exercitado o cérebro: vemos notícias, lemos, vemos séries e conversamos sobre assuntos que não envolvam a miúda. É um exercício a que nos obrigamos porque dizem que ajuda.

Certo é que esta aventura é uma completa surpresa a cada dia que passa. Há sempre uma situação nova para resolver, há um olhar mais atento, há um gesto novo que deve ser totalmente involuntário mas que nos parece, naturalmente, um desenvolvimento incrível da nossa criança. E há dúvidas, todos os dias: será que estamos a fazer bem? Será que ela está bem? Será que come o suficiente, que dorme o suficiente, que está bem deitada, que é feliz?

Nós vamos repetindo para nós aquilo que as pessoas em quem confiamos nos vão dizendo: não há receitas!

E com isso vamos ignorando os bitaites gratuitos que toda a gente - mesmo TODA a gente, inclusivamente as senhoras que passam por nós na rua sem nos conhecer de lado algum - gosta de mandar; vamos tentando não ceder quando alguém nos diz que "isso não se faz assim" ou quando recebemos um olhar mais recriminador por alguma opção que tomamos em consciência. Mas digo-vos uma coisa: isso é possivelmente mais cansativo e mais desesperante do que o desafio de tratar desta pequena maravilha que nos chegou às mãos e que temos a obrigação de preparar para o mundo. Mas como não há receitas, continuamos animados e a viver um dia de cada vez. Sem receitas. Sem stress. Sem drama.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

terça-feira, 7 de junho de 2016

Verão

A pessoa está aqui em espera ansiosa enquanto a criança não se decide a nascer, e ao mesmo tempo a pensar que precisa de comprar um fato de banho novo que aguente as transformações que este corpinho sofreu nos últimos meses, para enfrentar o Verão de muitos meses que este ano vamos ter. E portanto, enquanto espera, vai vendo as imagens dos modelos que este ano lhe cortam a respiração, sem saber bem quando terá tempo para tratar do assunto e se sequer caberá em algum deles.

Mas sempre é um bom entretenimento, verdade? Estes dois são da Women's Secret, onde tenho comprado os meus fatos de banho nos últimos anos. Os body shape são incríveis, o tecido é ótimo e a relação preço qualidade é muito interessante. Este preto faz-me ter noção de que preciso de fazer exercício a sério para ficar bem lá dentro e o verde é lindo (espreitem os pormenores das costas do modelo no site ;))



Depois há os da Hopiness - o Madonna V1 e o Madonna V4 que misturam o clássico com um toquezinho que me agrada muito e os Pisona, cujas quatro versões adoro. São mais caros e ainda não experimentei nenhum, mas cheira-me que de este ano não passa. Pelo menos se conseguir dar um salto a um lugar onde consiga confirmar que me ficam realmente bem. Que eu não tenho o corpinho da Giselle Bundchen, o que é uma pena - e desconfio de que nem todos os M aguentem o tamanho com que a minhas boooooobs vão ficar depois desta aventura :p

E pronto. É isto o meu entretenimento atual: sonhar com fatos de banho e com dias de passeio enquanto aguardamos calmamente (not) que a gaiata se decida a vir partilhar a sua vida connosco no mundo das pessoas que ansiosamente a aguardam. Se virem um dos modelos a passear na rua, mandai entregar cá em casa, sim?

Muito agradecida.


segunda-feira, 30 de maio de 2016

Das coisas que [ainda] me espantam

Esta minha nova condição tem coisas divertidas, como ser adicionada a grupos de 'Mães' nas redes sociais e coisas do género. Ou melhor, são coisas divertidas até eu começar a perceber exatamente de que coisas são feitas estes grupos. Na minha ingenuidade de mom-to-be de primeira viagem, sempre acreditei que estes grupos, fóruns, whatever, seriam lugares onde as pessoas trocavam experiências, falavam mal dos médicos ou procediam a trocas e roupinhas e vendas em segunda mão. Achava eu, na minha ingenuidade, que eram lugares onde se davam dicas de onde encontrar as melhores promoções de fraldas, das marcas que valem mesmo a pena, ou opiniões sobre as creches e colégios.

Mas não. Este é todo um mundo novo, que me tem feito oscilar entre o rir e o chorar, e que faz o meu marido dizer várias vezes "sai daí. A sério: sai daí!". É que ao contrário do que eu pensava, estes grupos e fóruns não são para nada dessas coisas que fazem sentido. Quer dizer, também há algumas. Mas na verdade, estes grupos estão cheios de perguntas que deviam estar a ser feitas aos médicos, pediatras, enfermeiras, maridos...e não a um grupo de pessoas leigas que não se conhece de lado nenhum. "A minha filha agora grita e chora durante a noite toda. O que poderá ser?"; "O meu filho tem um altinho no lugar x. Acham que me devo preocupar?"; "Estou enjoada e não sei o que fazer".

Se calhar sou eu que estou ser extremamente pudica e tradicionalista e que há coisas que acho que se devem partilhar, sei lá...com as amigas? Com os obstetras? Com os pediatras (imagine-se, colocar dúvidas médicas a médicos...). Mas é que realmente isto deixa-me um pouco confusa. Talvez ainda me passe, quando a miúda nascer. Mas se me virem por aí a fazer perguntas clínicas a qualquer pessoa que não seja um médico, por amor de Deus, dêem-me um par de estalos.

Grata.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Que nojo!

Ontem, através das redes sociais, consegui ver uma notícia absolutamente escandalosa - mas nem assim com direito a muita exposição por parte dos media tradicionais: uma miúda de 16 anos foi violada por 30 (vou repetir: TRINTA) tipos num bairro do Ro de Janeiro, no Brasil. A cidade que se prepara para receber os Jogos Olímpicos daqui a uns dias, precisamente. 

Os mesmos homens que se acharam no direito de violentar esta miúda foram os mesmos que publicaram fotografias do seu corpo inerte e ferido, depois da violação em grupo, nas redes sociais. Trinta homens. Uma miúda. E poucos suspeitos identificados pelas autoridades, como sempre.

E é claro que os comentários absolutamente descabidos não se fizeram esperar: que ela era toxicodependente (so what?); que já tem um filho, portanto…(oi?); que a saia era demasiado curta, logo, estava a pedi-las (perdão?) e mais um conjunto de barbaridades que me escuso a mencionar aqui,

Trinta homens. Uma miúda. A primeira palavra que me ocorre é nojo. A segunda é vergonha. Creio que o nojo não carece de explicações. A vergonha também não devia carecer, mas se calhar teremos que falar sobre ela, já que esta notícia parece não ter relevância no panorama atual:

  1. Nenhuma mulher - repito, NENHUMA -, aliás, nenhuma pessoa merece, a não ser em caso de legítima defesa, ser vítima de violência. Não me parece que uma miúda de 16 anos fosse perigosa para um grupo de TRINTA homens;

2. Nenhuma sociedade dita evoluída pode, sequer, achar que uma mulher que é violada não seja sempre uma vítima. Qualquer acto sexual praticado contra a minha vontade é crime. CRIME.

3. A educação que damos aos nossos filhos em casa é, sim, o primeiro passo para uma sociedade melhor: o machismo, o rebaixamento da condição feminina, o chamar nomes a uma miúda que vista mini-saia, são coisas que não contribuem para uma sociedade justa e respeitadora. Somos todos tão acérrimos quando se trata de defender que muçulmanas não usam o Niqab e depois somos tão idiotamente cegos em relação ao que se passa em nossa casa;

4. Um país que, no novo governo, não tem UMA única mulher no governo - estamos a falar do Brasil, onde não posso acreditar que entre 200 milhões de habitantes não haja 10 mulheres qualificadas para pastas ministeriais  - é um escândalo. A sério. É que para começar, as mulheres são a maioria do eleitorado brasileiro. Depois, até no final da ditadura houve mulheres no governo. E mais: o governo ultra-direitista de Michel Temer (que tem uma mulher “bela, recatada e do lar” como devem ser todas as mulheres, segundo o presidente interino), acabou também com a Secretaria das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos. Isto num país que tem graves problemas relacionados com machismo, minorias étnicas e direitos humanos…saibamos ler nas entrelinhas;

5. Todos nós adoramos o Brasil. Eu também. Se pudesse, teria cidadania brasileira e viveria lá durante uns anos. Mas o facto de o Brasil quase parecer um país de primeiro mundo não nos pode fazer assobiar para o lado. Vamos a números relativos àquele país?

A cada 2 minutos, cinco mulheres são espancadas;

40% dos homicídios de mulheres são cometidos por parceiros íntimos;

A cada 11 minutos uma mulher é violada;

Chega para nos abrir os olhos e para exigirmos, do alto da nossa sobranceria, que seja feito algo? Ou a nossa indignação só chega para pedir a libertação de presos políticos em países para os quais não vamos passar férias? Ou a nossa indignação só chega para pedir a destituição da presidente Dilma sem sequer sabermos bem o que se passa na política brasileira?

Eu não acho que as mulheres tenham que ter tratamento diferenciado por serem mulheres - não concordo com a existência de quotas, de regras diferentes, nem com metade das coisas pelas quais lutam os movimentos feministas radicais. Mas lutarei sempre por uma sociedade onde as mulheres não valem menos; onde os homens (e mesmo as outras mulheres) não decidem se o tamanho da minha saia me faz “merecer ser violada”; por uma sociedade onde eu não tenho que obedecer a regras diferentes porque nasci com orgãos sexuais femininos em vez de orgãos sexuais masculinos; por uma sociedade onde as mulheres não são julgadas porque não gostam de fazer tarefas domésticas; por uma sociedade onde os homens não “ajudam” nas tarefas familiares, mas fazem a sua parte nelas.

E para lá chegarmos, não basta batermo-nos a favor do aborto, das barrigas de aluguer, da permissão para mudar de género, pessoas queridas. Para lá chegarmos, temos todos que ser mais exigentes connosco e com os nossos: repudiem as piadas machistas nojentas; não permitam que os vossos amigos façam comentários depreciativos; não permitam que os vossos filhos se achem superiores às vossas filhas; não lhes digam que eles não têm que fazer a cama ou limpar a loiça porque “são homens”; não chamem galdérias às miúdas que usam saias mais curtas do que gostam ou que se maquilham mais do que acham sensato; não excluam mulheres de cargos que sabem que elas cumpririam bem somente porque são mulheres.

Tudo isto começa em casa. Nas nossas casas. E repudiem, indignem-se, mostrem-se verdadeiramente enojados quando há casos destes a acontecer no mundo: trinta homens violaram uma mulher. Repitam isto para vós - repitamos isto para nós - até que entendamos que uma mudança social tem que ser forçada por nós. Trinta homens violaram uma mulher na cidade maravilhosa. Num país que vai receber os Jogos Olímpicos. Num país que todos adoramos. Trinta homens violaram uma mulher. E muita gente acha que ela mereceu. A sério. Repitam isto até à exaustão.


terça-feira, 24 de maio de 2016

Baby C. is knocking - Photo Shoot

Desde que nos conhecemos, nunca mais a largámos! Fizemos a primeira sessão com a Rita pouquíssimo tempo depois de termos casado, e depois disso foi também com ela que fizemos o nosso 'trash the dress', uma sessão com os nossos padrinhos e fotografias com amigas 

Recomendámo-la a vários amigos e era para nós óbvio que não podia haver outra pessoa a ajudar-nos a manter tão boas memórias como aquelas que queremos que fiquem gravadas desta fase que estamos a viver - mesmo que não a achemos a mais divertida do mundo!, ahah!


E mais uma vez, não nos enganámos. A Rita não só foi ter connosco onde estávamos a passar férias, como conseguiu, novamente, ver para além de todas as nossas tonterias e transformar os nossos disparates em fotografias bonitas que me quero apressar a imprimir e emoldurar.


Foi uma tarde absurda de gargalhadas, vento, disparates, gelados e muita paciência da parte dela - como sempre - para tentar fazer o melhor com a nossa displicência e falta de jeito para poses românticas, bonitas e sabidas de protocolo.


Agora só temos que escolher entre as quase 200 fotografias que ela editou para nós para vermos como não vamos forrar totalmente as paredes da casa só com estas imagens...



Ela acha que é demais, nós achamos que é sempre de menos: obrigada, de coração, por gravares em imagens tão bonitas aquilo que nós somos, e que queremos recordar daqui a tanto tempo. Obrigada! 

E a quem está desse lado e precise de uma fotógrafa amorosa, que respeita o vosso estilo, que vos sabe ouvir e captar, que é atenciosa, delicada, dedicada e absolutamente comprometida, nós atestamos: é falar com a Rita. Ela ganhou o título de nossa fotógrafa oficial da família há uns tempos, e parece-nos que vai ser muito difícil alguém roubar-lhe o lugar! :)



sexta-feira, 20 de maio de 2016

Fé no sistema restaurada

Porque afinal, se dizemos mal também devemos dizer bem quando isso se aplica, há que fazer o elogio público ao funcionamento do sistema. Não é que a Segurança Social - onde fui atendida em qualquer coisa como 20 minutos (o estado em que me encontro não podem ser só desvantagens diversas :D) - já tinha corrigido o erro, tratado do meu assunto e tinha tudo mais que em ordem?

Fé no sistema restaurada!, meus amigos. É o que vos digo. Quase dei dois beijinhos à D. Maria José, essa querida que me atendeu ali na Loja do Cidadão das Laranjeiras.

Afinal não estamos tão mal quanto parece. Cá beijinho!

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Portugal de primeiro mundo (SQN)

Portanto, o sistema está contra nós. Eu não gosto de acreditar em teorias da conspiração, mas a verdade é que isto este ano parece que está tudo absolutamente alinhado para nos aborrecer.

Ora!, primeiro foram as Finanças - e todos nós odiamos as Finanças, verdade? É que este ano, em que entregámos o IRS certinho, direitinho, super no início do prazo anda andamos às voltas com mil divergências diversas que - pasme-se - nem sequer podem ser resolvidas por nós. É certo que se eu tivesse mudado a minha morada a horas havia coisas que se tinham resolvido mais rápido, mas como a Grécia e o BES me tramaram o ano e as horas e a agenda, a modos que não consegui. E pronto. Todo o sistema caiu em cima de nós e cremos que talvez la para Novembro tenhamos tudo regularizado.

Mas é importante deixar aqui uma nota: há fé nos funcionários públicos, e a senhora da repartição que nos atendeu (a D. Mariana) foi a pessoa mais querida, atenciosa e eficiente. Portanto, thumbs up que nem tudo pode ser mau. Ela lá nos avisou que receber IRS, a acontecer, só daqui a uns meses, mas pronto. A malta quer é tudo regularizado que ficar no limbo das finanças é pior que ficar no limbo entre o céu e o inferno.

Depois de resolvermos isso (ou de tentarmos), veio a outra parte: a médica enganou-se nos meus papéis e passou-me cenas com um número da Segurança Social que não me pertence. Não foi um dígito enganado. Não!, foi efetivamente todo um número de SS que não é meu. Na verdade, presumo que pertence a alguém que tem pelo menos mais umas quatro décadas de vida. O que é divertido. Porque assim, algo que devia estar tratado há duas ou três semanas...bom!; não está! E então lá vamos nós, dizer que aquele número não é nos. "Ah...pois. Tem que falar com a médica", diz a senhora que nos atende. No shit, Sherlock?

E portanto é isto. O sistema está a tentar lixar-nos a vida, mas nós somos mais teimosos e gostamos de provar que somos capazes de dar cabo do sistema, também! Portanto, se isto é uma tentativa de nos vencerem pelo cansaço, está a dar frutos! Mas temo que não resulte. Que eu sou teimosa e gosto de acreditar que  Portugal é um país de primeiro mundo. Para o provar, só preciso de fazer as coisas funcionar...vamos ver quem ganha.

Ufff.

domingo, 15 de maio de 2016

Do salário-satisfação

Ela entrou em casa, de sacos na mão, material diverso a sair pela abertura, tudo em tons de rosa e muito colorido: balões, esponjas, bolas de papel, papel crepe, chupa-chupas, gomas, salgados, amêndoas, chocolates, you name it. Durante quatro horas, esteve incansavelmente a desenhar, recortar, passar linha, pendurada em bancos a colar coisas, a pensar como disporíamos toda a decoração.

E claro, ela ainda fotografou tudo!
Durante quatro horas falámos de política, de relacionamentos, de bebés, de trabalho, do estado do jornalismo, da vida. Acho que escolho as minhas amigas pelas virtudes ecléticas, pela capacidade de falar de vestidos e de economia, pela entrega e generosidade - e que bom ter esta sensação. Durante quatro horas ela garantiu que não estava cansada apesar de eu saber que tinha tido uma semana infernal de trabalho. E aqui estava ela: dedicada, atenta, sorridente, bem disposta, focada na tarefa como se estivesse a escrever sobre os seus amados dinossauros ou exoplanetas.

No dia seguinte, foi a primeira a chegar, depois de ter resolvido o drama da falha da encomenda por parte da pastelaria - "Amiga, eles esqueceram o meu pedido. Mas está tudo bem, já resolvi tudo!" - e lá vêm mais quatro sacos cheios de sanduíches, salgados, queijos e demais iguarias de que ninguém se lembraria muito menos nos 30 minutos em que ela, sozinha, resolveu o problema.

Na casa que ela sabe que também é dela, ela abriu armários, arrumou, limpou, dispôs, resolveu, acolheu, fotografou, tratou dos jogos, dos presentes (até para os convidados) e surpreendeu toda a gente com a capacidade incrível de por tudo a funcionar.

A festa foi maravilhosa. O carinho foi imensurável. A minha gratidão, imensa. O amor por estas amigas que se vão fazendo cada vez mais presentes, ainda maior.

Podem faltar-me algumas coisas na vida, posso queixar-me de vez em quando do salário, do trabalho, da situação política, das pessoas más. Mas nada, nada, nada se pode equiparar ao que me fazem sentir estas pessoas que nunca me deixam cair. São elas, também, que me fazem sentir a pessoa mais abençoada da terra. E saber que já gostam tanto da pequena mini me só me faz querer esborrachá-las de tanta gratidão e de descanso, por saber que estarão sempre presentes mesmo quando tudo quiser desabar.

Obrigada, obrigada, querida Giu, por nunca teres deixado que o Atlântico nos separasse. Obrigada por me fazeres sentir tanta coisa ao mesmo tempo e transformares momentos [às vezes tão] assustadores em histórias tão bonitas. Love you loads!

[e sim, é isto que é o meu salário-satisfação. E dificilmente pode ser aumentado, parece-me].

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Please, just stop it

Eu nem sou uma pessoa de Verão. A sério que não. Mas não aguento mais a chuva. O tempo húmido. Não aguento mais não ver o sol, estender roupa que nunca mais seca, abrir as janelas e cheirar a terra molhada, calças as mesmas botas há quê...? pelo menos uns sete meses!! Não aguento vestir os mesmo impermeáveis, os mesmos casacos, a mesma roupa.

Alguém pode parar com isto, sff?

A sério. Não-se-aguenta!

segunda-feira, 2 de maio de 2016

O meu médico é melhor que o teu

Primeira regra quando se quer ter um bebé? “Não dizer a pessoa alguma que se está a fazer por isso”. O conselho é da minha médica de há muitos anos, de quem muita gente não gosta porque ela é toda praticidade como eu gosto. “Também não penses muito nisso. Aproveitem a vida e divirtam-se que há-de acabar por acontecer”. E assim foi. Não se pode dizer que tivéssemos ‘tentado’ no verdadeiro sentido da palavra, antes não fizemos por evitar. Aliás, na altura em que eu engravidei, naturalmente, não dava jeito nenhum, como se quer. Tinha acabado de mudar de trabalho, e quando descobri já tinha assinado contrato…

Não houve ácidos fólicos nem ferros antes de engravidar – outra coisa que muita gente não gosta na minha médica. Eu percebo: tomar um remédio todos os dias faz-nos lembrar de que estamos a tentar algo e isso condiciona-nos. E também não houve dramas a seguir, quando lhe entrei no consultório e lhe disse: e agora? “Agora? Agora deixas de comer sushi que não vale a pena arriscar, não comes carne mal passada nem enchidos crus e vais à tua vida. Aproveita que será a tua melhor gravidez. Adeus”.

Saio sempre do consultório dela com um sorriso nos lábios e a ideia de que sou tonta por me preocupar com as coisas que vão acontecendo: ela descomplica tanto que às vezes acho que estou a ser uma dramática – o que é bastante possível, tendo em conta a minha queda para o dramatismo! Chama o pai à ação – “sim, é para fazer tudo o que ela não quiser ou não puder fazer. Sim, aproveita-te da gravidez que isso cansa” –, espera por nós quando nos atrasamos – “ia dizer para remarcarmos mas não quero grávidas nervosas” –, responde-me sempre com um sorriso descontraído às perguntas que acho serem super relevantes problemáticas e ralha comigo sempre que acha necessário – e Deus sabe como um bom ralhete tem efeitos muito benéficos em mim.


Cada vez me convenço mais de que ter um bom médico, com quem nos sintamos bem e descontraídos, em que sintamos confiança, é meio caminho andado para que esta fase – que não é tão fixe como querem fazer parecer, lamento – seja passada sem grandes dramas. E esta semana, mesmo antecipando o ralhete dela, uma vez que já lá devia ter ido, eu sou uma pessoa muito mais serena só porque sei que vou passar no consultório, que ela me vai acalmar as dúvidas, ouvir a miúda e tranquilizar o coração. 

--

É claro que o nosso médico é sempre melhor que os outros, bem como o pediatra dos nossos filhos vai ser sempre melhor que os outros, e o nosso ecografista é sempre melhor que os outros. Mas isso é porque todos somos diferentes. E portanto agradece-se muito a que não haja bitaites sobre o assunto a menos que as pessoas em questão peçam conselhos e referências. Nem todos nos identificamos com o mesmo género e é importante que nos sintamos confortáveis com quem escolhemos para nos acompanhar nisto - obviamente que agradecemos que nos digam se houver algum caso de negligência médica ou assim em relação aos profissionais em causa! Ahah!

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Da vida adulta.

Aos 12, 13, 15 anos fazemos tantos planos. Olhamos para as nossas irmãs, oito, 10 anos mais velhas e sabemos exatamente onde estaremos quando tivermos a idade delas. Sentamo-nos com as nossas amigas de sempre a comer torradas em frente à lareira enquanto passam episódios da Malhação, fazemos tentativas falhadas de escrever livros com outras amigas e dedicamo-nos a jogar Sim Tower e Doom, a fingir que somos adolescentes rebeldes, afinal.

Na adolescência, pensamos em nós com 30 anos e temos a certeza de que já teremos quatro filhos, um cão, um jardim, um marido que faz o jantar e uma carreira esplendorosa. Teremos dinheiro e tempo para todas as viagens e planos que achamos merecer, e não andaremos de ténis nem de calças de ganga que isso não é roupa de adultos.

E depois chegamos aos 30. E aos 31. E até temos um marido - que não faz o jantar todos os dias, mas pronto -, um pequeno espaço a que podemos chamar jardim e um gato. Temos um filho a caminho [e estamos em pânico com essa ideia, quanto mais pensar em 4 assim de repente] e temos uma carreira que nos agrada, ainda que nos não dê o tempo e sobretudo, o dinheiro, para fazer tudo o que queremos. Saímos todos os dias, ou quase, de sorriso no rosto porque podemos continuar a trabalhar de calças de ganga e embora eu não seja muito de ténis, a verdade é que as All Star têm voltado a ser  grandes amigas dos últimos tempos.

Tal como há quinze anos, temos dúvidas existenciais, adoramos um bom mexerico e aproveitamos todos os momentos para poder estar com os nossos amigos - aqueles mesmo a sério, com quem não temos que pensar se estamos bem arranjados ou nas parvoíces que estamos a dizer. Aliás, essas passam mesmo a ser as pessoas mais importantes das nossas vidas, a par com a família (de sangue ou não).

Tal como há quinze anos, na maior parte dos dias somos apenas miúdos que não se dão conta de como já cresceram, de como a vida já mudou nesta década e meia, e gostávamos imenso de poder enfiar a cabeça na almofada em metade dos dias em que o despertador toca. Mesmo que 30 minutos depois, de cara maquilhada e um par de emails importantes respondidos, vistamos a farda dos adultos que não imaginámos mas que foi o melhor que conseguimos ser.

Aos 30 anos, afinal, não temos quase nada daquilo que pensámos que íamos ter, fizemos imensas coisas que nem imaginávamos, e ainda nos falta concretizar mais um par delas que nunca julgámos tão complicadas. Mas somos, sobretudo, pessoas mais conscientes da importância que temos no mundo. Mesmo que apenas no nosso. E isso, apesar de não valer por tudo, vale muito. Mesmo.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Flo

O presente de aniversário dele foi!, para além do bilhete, a companhia num concerto que nem sequer lhe diz nada por aí além. Assistimos sentados que eu já não aguento duas horas em pé!, e foi absolutamente divinal. Ela é divinal, a música é boa e o espetáculo é incrivelmente simples e estrondoso. 

Tendo em conta o terramoto que sentimos na minha barriga durante todo o tempo!, a miúda também já está rendida à boa música - e Deus sabe que temos feito por isso!:) 

Que boa noite. Que boa música. Que bom marido. Que privilégio assistir a coisas boas destas que nos elevam o espírito e nos deixam de coração cheio. 



segunda-feira, 21 de março de 2016

Please, 31, be good to me...

A exatamente uma semana de a minha vida virar um grande 31 - já sabemos quanto gosto de fazer aniversário, não já? Só para reforçar a ideia... - só me ocorre pedir uma coisa aos 12 meses que aí vêm: por favor, sejam meiguinhos comigo. É que o fim dos 30 estão a ser de uma violência que nossa senhora me valha. Contado, ninguém acredita, portanto vivemos dia-a-dia, que as coisas vão compor-se, de certeza absoluta. Até porque eu acredito que não há fomes que não dêem em fartura nem males que não venham por bem!

Mas pronto, mandem para aí energias positivas que elas são bem necessárias para os próximos meses, sim?

Muito grata!

:D

quinta-feira, 17 de março de 2016

Coisas que me encanitam


1.       Pessoas que todos os dias se queixam de que estão gordas, flácidas e que deviam ir ao ginásio e que só comem m*rd*, não vão ao ginásio “porque é muita preguiça”, almoçam sandes e sumos e não levantam sequer o rabo da cadeira;

.       Pessoas que se queixam de que ganham pouco e não têm dinheiro para nada mas fazem todas as refeições (pequeno-almoço incluído) fora de casa, só vestem roupa de marca e os acessórios e gadget de última geração.

segunda-feira, 14 de março de 2016

T -14

No ano passado fiz um mega diário em modo de counting down para os 30. Só agora me lembrei disso, e fui ler o que escrevi mais ou menos nesta altura, e que hoje republico. Porque na verdade, não mudava coisa alguma daquilo que escrevi há um ano. Talvez possa acrescentar uma coisa ou outra, mas o essencial mantém-se: sou uma pessoa da Primavera; adoro fazer aniversário; odeio não poder descansar nessa altura; quero voltar a calçar sabrinas e quero muito voltar a ter sardas no nariz. Esta Primavera tem tudo para ser ainda mais desejada, que o Inverno não tem sido meigo para nós. Por isso, vem, querida Primavera. E que a minha vida seja um verdadeiro 31! Estou a contar com isso! :)

"A Primavera ainda não chegou, oficialmente, mas começa a dar um ar da sua graça. Já nos apetece andar fora de casa, de antenas espetadas ao sol, a tentar armazenar toda a vitamina D que pudermos, para fazermos frente aos dias menos solarengos que, de certeza, ainda estão por vir. Já se iniciou a época das ameijoas - uuhuuhh - das imperiais ao sol, das tardes com amigos, assim o trabalho o permitam.

A chegada da Primavera antecipa a chegada dos 30  - sim, este mês só dá níver aqui no blogue. Sorry - e antecipa algum descanso, thank God [e thank John, a bem da verdade;)]. Eu sou uma pessoa da Primavera. Sobrevivo ao Inverno, até gosto do frio, mas é o sol que me faz feliz. Acho que o facto de ter odiado viver em Bruxelas e adorado viver no Brasil me deveria ter dado algumas dicas sobre esta minha preferência. Adoro andar descalça, adoro andar de t-shirt, adoro andar de cabelo apanhado. Adoro que me nasçam sardas com a vinda do sol e que as janelas de casa estejam abertas para receber a luz e o calor que o Inverno nunca traz.

Adoro ver o sol a pôr-se com aquela luz incrível, e trocar conversas ocas durante esse tempo. Adoro ter vontade de rir, de gargalhar à beira-mar, à beira-rio, à beira-água. Adoro o calor que ainda não é insuprotável e as peles que começam a tisnar, aos poucos. Adoro acordar com um salto porque agora o sol brilha lá fora e os casacões podem começar a ir para limpar. Porque agora posso começar a sair de casa com o cabelo molhado e sabrinas nos pés.


Adoro fazer aniversário no mês da Primavera. Acho, sinceramente, que sou mais feliz por isso. Que me apetece animar as pessoas, no geral, porque sou filha da Primavera. Atrasei-me a nascer e agora sei porquê: seria tão mais triste se tivesse nascido no Inverno. Primavera, tempo de renovação. Primavera das novas vidas: das flores, das aves, das plantas. Primavera da felicidade e dos sorrisos abertos.  Primavera da gratidão pelo Inverno que já passou e pelo Verão que se aproxima. Primavera do coração disponível para agradecer e receber, todos os dias, mais." (texto publicado originalmente no dia 15.03.2015)

5 coisas muito divertidas da gravidez #3

1. As pessoas olharem para a barriga, apontarem, e dizerem: “é um menino, não é? Vê-se logo!” Eu sorrio, suspiro e digo: não, é uma menina. “Ai, mas tem a certeza?” Well…eu não, que não se ver ecografias. Mas se calhar vou simplesmente desistir e esperar que a miúda nasça. Aí terei a certeza.

2. Insistir-se na ideia de que eu só como muito porque estou grávida: pessoas queridas, eu já comia muito antes disto. Na verdade, desconfio até de que comia mais. Eu não como por duas. Como por mim, mesmo, e alguém me anda a roubar nutrientes. É isto.

3.  A educação não está assim tão generalizada. Têm noção de quantas pessoas não se levantam quando eu entro num transporte público apinhado, em que não há lugares livres? São para aí 5 para cada 1 que se digna a dar-me o lugar.

4. Falar-se das dores do parto. E das dores da amamentação. E da falta de sono quando a criança nascer. E de cocós. E de coisas afins. I mean: really? Acham mesmo que nós queremos saber? Não queremos. Agradecemos, até, que se remetam ao silêncio sobre esses assuntos. Quando for hora, preocupar-nos-emos com eles. Contar as vossas experiências [a menos que sejam os nossos melhores amigos e nós vo-lo pedirmos] não ajuda. A sério.

5. Ouvir o ar de espanto, quase de lamento, das pessoas quando dizem: “Ah, não parece nada que estás grávida!” Peço desculpa se ainda não sou uma orca. Talvez seja lá mais para a frente. Mas não se entusiasmem muito que não é muito elegante. Grata.

quinta-feira, 10 de março de 2016

5 coisas muito divertidas da gravidez #2

1. A nossa memória fica um desastre. Se transcrever entrevistas já era coisa que odiava, agora ainda é pior: não me lembro de coisa alguma que tenha ouvido há dez segundo. Para além de me esquecer dos nomes das pessoas que vou entrevistar. Um drama;

2. Curar constipações sem remédios é absolutamente incrível - é certo que posso tomar alguns, mas eu sou uma pessoa de ataques com bombas atómicas quando é necessário. Tomar um comprimido ou nenhum dá-me igual. Incrível;

3. Dou por mim, todos os dias, a pensar em que roupa em função da quantidade de vezes que precisarei de ir à casa de banho. A sério. É muito triste;

4. Posso comer a qualquer hora, em qualquer lugar, sem que as pessoas me julguem. Essa foi a coisa melhor até agora: é que eu continuo praticamente com o mesmo nível de fome do que antes - só que agora sinto-me mal se a não mato - mas as pessoas agora não levam a mal que eu coma a toda a hora. Uhhhuuhh!

5. Passo à frente de pessoas para ir ao WC. E digo-vos: para alguém que já tinha uma bexiga do tamanho da de um passarinho, isto é um huuuuge achievment! :D


terça-feira, 8 de março de 2016

O bairro do amor

No meu bairro, o pão "da Malveira - parecido com o de Mafra mas ainda mais fechadinho", é vendido a menos de um euro, e entregue embrulhado em papel pardo. Compra-se numa padaria com balcão de mármore e prateleiras de madeira, como as da minha infância.

No meu bairro, o senhor da mercearia trata-me por tu, às vezes por você, e pergunta se a criança continua com desejo de comer tomate, que muda de preço todos os dias.

No meu bairro, os legumes estão à vista na rua, p
ara lhes podermos mexer, cheirar e se quisermos, colocar no saco à vista de toda a gente. As cebolas vêm quase sempre de Espanha mas as batatas são nacionais, tal como os alhos, as cenouras e as laranjas, que são do Algarve.

Na nossa casa, no meu bairro, ninguém sai sem tomar o pequeno-almoço :)

No meu bairro posso comprar colheres de pau sem que alguém diga que "isso já não se usa", cafeteiras italianas, alguidares, taças de sobremesa, cortadores de legumes, tábuas de engomar e formas de bolos tudo na mesma loja. E gastar menos do que no estacionamento de um centro comercial, quase.

No meu bairro as pessoas refilam muito umas com as outras, abundam os velhotes e é fácil encontrar gatos na rua que na verdade são tratados por alguém que mora num dos prédios da rua. "Atenção, os gatos têm estado a fazer tratamento no veterinário", lê-se às vezes em papéis colados nas portas dos prédios. "Não lhes tirem a casinha que fiz".

O meu bairro não é da moda, não aparece nas revistas como sendo dos mais 'trendy' de Lisboa, não é no centro da cidade, não desperta a curiosidade de ninguém. Mas o meu bairro é o melhor, porque é o meu. Porque as pessoas se preocupam, cuidam, guardam as nossas chaves de casa - e quase não no-las devolvem por não terem a certeza de que nós somos nós - e não raras vezes decoram-nos o nome e os gostos.  Porque ao longo dos anos as famílias não saem daqui, sendo fácil encontrar avós, país, filhos e netos a viver apenas a algumas ruas de distância, o que faz do meu bairro um bairro familiar, pouco volátil às constantes alterações da capital.

Não é o bairro mais bonito. Também não é o mais chique. Mas é dos mais genuínos. E para alguém que vem do campo, como eu, poder falar com a senhora da praça sobre as couves do Caldo Verde é algo particularmente relevante, ao Sábado de manhã! :)


sexta-feira, 4 de março de 2016

Do regresso aos livros

Esta coisa dos computadores, telemóveis, internet e séries tem um problema gravíssimo: afastam-me dos livros. Eu era uma daquelas pessoas que antes de ir para a cama tinha sempre que ler. Que desligava a televisão para me agarrar a calhamaços - quanto maiores, melhores - e que ainda só não não perdeu esse hábito na praia (adoro um livro enorme num dia solitário de praia).

Agora com as tecnologias, irrito-me de passar mais tempo a olhar para ecrãs do que para livros, mas é isso mesmo que acontece. Os livros acumulam-se na mesa de cabeceira e nada de eu lhes pegar. O que é estúpido.

No início desta semana, no entanto, houve um volte-face que exigiu disciplina mas que em três dias me devolveu o gosto pela leitura - graças a Deus! Com toda a polémica em torno do livro do Henrique Raposo (Alentejo Prometido), achei que o devia ler. E ainda bem, porque apesar de eu discordar quase sempre do autor - que é também jornalista e colunista do Expresso -, a verdade é que o livro está tremendamente bem escrito. Que não gostem do que lá está é uma coisa!, agora que aquilo está bem escrito e fundamentado, está.

Do Henrique Raposo a Truman Capote foi um instantinho, e ontem agarrei-me ao 'Outras vozes, outros lugares', que comprei há não sei quanto tempo numa qualquer feira do livro e que ainda não tinha saído da prateleira. Li antes de dormir, li hoje no comboio, está na calha para o fim-de-semana.

É bom, é muito bom, voltar ao aconchego dos livros. É ainda melhor voltar a sentir que há poucas coisas tão boas quanto aquelas páginas cheias de histórias para contar. O mundo desaparece e eu sou tão feliz.


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

5 coisas muito divertidas da gravidez

Há coisas bastante curiosas em que claramente só pensamos quando passamos por elas - quer dizer, pelo menos no meu caso.

1. 40 semanas não são 9 meses. São dez. Ora, assim sendo, na verdade se eu estiver de seis meses, ainda me faltam mais quatro para a criança nascer. E não três. Isso não é confuso? Para mim é;

2. [A grande maioria d]As pessoas deixam de querer saber de nós. Querem saber se o bebé está bem, se já temos roupa, cama, carrinho, biberons, termómetro, fraldas (?), quarto e pronto. Nós deixamos de existir enquanto pessoa e passamos a ser meros transportes de seres vivos;

3. Calçar sapatos começa a ser algo bastante divertido de se fazer (NOT). É ótimo rebolar para cima da cama a tentar calçar algo que não sabrinas que não exijam a utilização das mãos;

4. Ter apenas quatro ou cinco conjuntos de roupa que nos sirvam [para pessoas que se recusam a gastar um balúrdio em roupa para meia duzia de meses]facilita imenso a escolha do outfit diário;

5. É indispensável começar a criar uma barreira para não ouvir quando há quem nos trate por "mãe". Eu não sou mãe das pessoas no geral. Tenho um nome. E as pessoas esquecem-se disso. O que é engraçado...ou não;

Here's the thing.

Leiam isto. Faz-nos falta a todos! :) [é só clicar no texto para ler o artigo todo]


"Our girlfriends can't save us, for only God can do that, but girlfriends can help make a tragedy bearable. They can read our mind and our emotions, intuitively recognize what needs to be done -- then do it. They can listen, empathize and show compassion" 

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

London calling

(eu sei, first world problems!) Uma das coisas que mais me vai custar nos próximos meses é não poder viajar. Portanto, estive a aproveitar bem estes últimos cartuxos nos tempos que passaram. Depois de um passeio romântico pelo sul, fui com a  prima-irmã na sua estreia na capital do Reino Unido, num pulinho.


Tenho tido a graça de poder ir a Londres várias vezes, nos últimos tempos, mesmo que numa corrida rápida. Desta vez fui turistar mais, apesar do frio enregelante e da chuva que decidiu não dar tréguas durante o Sábado. Andámos, andámos, andámos. Bebi litros de chocolate quente, desforrei-me em muffins de Portobello Market, encantei-me com as flores de Kesington, aqueci-me nos museus de Westminster e divertimo-nos à brava. Apesar de já começar a ficar muito cansada - a minha energia, afinal, tem que ser dividida por 1,6 pessoas - há pouca coisa que me deixe tão contente quanto uma boa viagem, uma mega companhia e ainda o melhor reencontro ao almoço de despedida.

Little C. will love London, as well. I know it, 'cause she grew a lot during our days there...And kicked. Ah!

Agora é tempo de acalmar, de voltar às rotinas e inserir outras na preparação para o que aí vem e de recordar os passeios até haver novas memórias. Mas que foram uns bons dias para esquecer o malfadado Janeiro e para ganhar fôlego para este grande ano, lá isso foram! :)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

I am dying for it...

Há várias coisas de que ando a sentir falta nestes meses. Um copo de vinho à chegada a casa - nem quero pensar nos meses que ainda faltam para poder voltar a fazê-lo -, um gin tónico com os amigos, uma boa sandes mista, um bife de vaca mal passado, assim quase a escorrer sangue...mas aquilo de que sinto, realmente, mais falta [só de escrever estou a salivar] é de um bom, gigante, fresco e delicioso sushi.

Sushi by Santa Barbara Eco Resort
Com tudo aquilo a que se tem direito: sushi to sashimi; arroz delicioso; marisco do mais fresco; algas estaladiças...se soubessem as saudades que eu tenho de devorar um prato de sushi como esse aí da foto... Nossa Senhora me valha. Os sacrifícios que uma pessoa faz por um amor maior é algo com que ainda me surpreendo todos os dias. Mas que custa..nossa!, se custa!

by Sushic

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