terça-feira, 23 de junho de 2015

Cheesy is my middle name

Eu tenho gostos muito duvidosos, muitas vezes. Ouvi esta música, cuja composição remonta a 1993, no tempo em que ainda existia Chuva de Estrelas  - não vamos fazer as contas. Não sei porquê, ficou-me gravada na memória durante anos e anos. Sei a letra de cor, mesmo que nunca a oiça (lembro-me dela de vez em quando e lá vou à procura para recordar os acordes). No outro dia passou na M80, ao final do dia, e eu parecia uma criança a quem deram um doce.

Não sei se é da melodia - canções que metam pianada têm esse efeito sobre mim. É lembrar de como às vezes consigo ouvir Garou durante mais de quatro canções seguidas -, se é da letra, se é da voz do senhor. A verdade é que acho que todos nós temos um(a) Jess(ie) nas nossas vidas, e por isso esta música é sempre boa. Mesmo que seja pirosinha. Cheesy. Mas well, cheesy é o meu nome do meio, portanto, é ouvir só mais uma vez :)

PS. E acreditem, o Joshua está muito melhor neste vídeo que nos primeiros que fez com esta música. Nossa!



segunda-feira, 22 de junho de 2015

O que se pode querer mais do que uma porta?

Quando fomos a Marraquexe, no mês passado, fiquei apaixonada pelas portas. Pelo formato, as cores, as possibilidades infinitas que uma porta pode dar, durante a vida. As portas sempre me fizeram sonhar: pela barreira que representam, pelo que pode estar escondido por detrás, pelo desafio da incerteza, pela surpresa do que escondem.

Marraquexe tem portas absolutamente incríveis, estranhas, coloridas, velhas, novas, abertas e fechadas. Como a vida. Que às vezes nos escancara portas, outras vezes as fecha, outras vezes as deixa lá para que as vejamos mais tarde, às vezes abre só pela metade e outras vezes ainda as ilumina, para que saibamos que lá está em caso de emergência.

Gosto de portas. Dão-me a segurança de as poder fechar por dentro protegendo-me das intempéries, ao mesmo tempo que me permitem abri-las para poder explorar o mundo e gritar, aos sete ventos: Life is full of possibilities.

As portas são sinal de coisas boas. Não tenho dúvidas nenhumas sobre isso. E hoje sinto-me optimista - é verdade que me sinto optimista quase todos os dias, eu sei. Mas hoje sinto, verdadeiramente, que às vezes temos só que saber que portas queremos abrir e que portas devemos deixar fechar para que a vida seja aquilo que queremos. E a decisão de ficar do lado de cá ou de lá da porta é só nossa. Há coisa melhor que essa?

Uma das portas da nossa Riad

A porta mais linda, no jardim Yves Saint-Laurent

Este verde-água nos Jardins da Menara

Palácio El-Badi

Portas a cadeado

Porta na medersa Ben Youssef

As portas de Essaouira

Porta mariquinhas

sexta-feira, 19 de junho de 2015

De quem importa

É um privilégio fazer isto que eu faço: contar histórias de pessoas incríveis, que passeiam por esse mundo e que de outro modo não conheceria e não podia dar a conhecer.

Claro que também há as histórias do dia-a-dia, daquelas que toda a gente acompanha: os dramas de Ricardo Salgado, a loucura da Grécia, os resultados dos bancos, os negócios, os crimes, a prisão de Sócrates. E essas histórias são incríveis, porque aí sentimos que mexemos com o poder.

Mas mostrar ao mundo pessoas desconhecidas, encontrar as histórias que valem a pena contar e a quem não se dá tanta atenção.. essas enchem-me o coração e a alma. Mesmo que não tenham impacto, mesmo que não dêem para escrever livros, para aparecer na televisão, para ser premiada com Pulitzers. Até não serão as histórias que dá para vender, acredito.

Mas são, também, estas histórias que me fazem acreditar nisto que faço. No trabalho louco todos os dias. Na importância que podemos ter na vida das pessoas, todos os dias. E isso, essa gratidão, esse coração cheio, é coisa que me faz gostar disto pela vida fora. Com tudo o que isso tem de fácil e sobretudo com tudo o que tem de [tão difícil].


quinta-feira, 18 de junho de 2015

As armas do bem

A conversa surgiu por duas vezes, esta semana, com amigas diferentes: de quanto vale o bem? Nós acreditamos - nós, eu e as pessoas que felizmente me rodeiam - que vale imenso. Muito mais do que o materialmente mensurável. No entanto, é um valor que demora também muito mais a chegar.

Ser bom, ser leal, ser justo, ser verdadeiro, ser correcto. Coisas que vêm de casa, que aprendi de pequenina, que aprendemos, todos aqueles que somos do bem, parecem todos os dias dispersar-se na espuma do materialismo, do ter, do parecer, do querer ser mais do que os outros. Tiram-se tapetes, espetam-se facas nas costas, usa-se o cinismo como modo de estar e a falta de espinha dorsal como modo de vida.

Vende-se a alma em troca de bens que consideramos essenciais e deixa-se para trás, sem se dar conta - ou dando-se - as coisas que realmente importam: a verdade, a rectidão, o bem. A minha amiga-irmã diz e repete, muito sabiamente: de todas as vezes que não lutamos contra o mal, estamos também a fazê-lo. Ele existe e aumenta na ausência do bem. De cada vez que se escolhe a cobardia, que se escolhe a dança das cadeiras, que se escolhe os interesses em vez do próximo, que se fecha o coração à disponibilidade total para acolher o que a vida pede, verdadeiramente, estamos a deixar que o mal ganhe.

O mal com todas as suas tentações ridículas que nos não aquecerão o coração no final do dia. Que não acalmarão os fantasmas e que não ajudarão a um sono descansado. Por isso, todos os dias me visto com as armas de Jorge e tento ser bem. Fazer bem. Mesmo que isso pareça não valer a pena. Mesmo que sintamos que tudo vai para quem faz e é o mal. Todos os dias ser e fazer o bem é dormir quente, tranquila, na certeza de que sabemos escolher as energias certas para a vida.


quarta-feira, 3 de junho de 2015

Maio das estranhezas. Junho das incertezas

Que estranho foi este mês de Maio. Tantas coisas a acontecer, ao mesmo tempo, tão pouco tempo para as assimilar, para pensar sobre elas. Que estranhos foram os dias cheios de informação e ao mesmo tempo cheios de incertezas e de desinformação. Que estranhos têm sido estes tempos que parecem trazer tudo de bom e ao mesmo tempo tanto por saber.

Que estranho foi este mês de Maio, na mesma proporção em que foi incrível. Que venha Junho, menos estranho, menos intenso, mais quente, mais doce.
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