quarta-feira, 29 de abril de 2015

La Closerie des mes rêves



Assim que soube que o meu presente de aniversário eram uns dias na cidade da luz, obviamente comecei a pensar no qeu mais interessava: onde é que iríamos jantar no grande dia? Pois que li, reli, procurei e nada. Até que recorri ao único livro ao qual devia ter recorrido assim que soube: A Parisiense, da Inês de La Fressange. A senhora não só é um ícone como põe a maior parte das ditas fashionistas de hoje em dia a um cantinho escondido quando se fala de classe.

Mas adiante. Depois de ler e reler e verificar, houve um sítio que me ficou a martelar no cérebro assim que vi a recomendação dela. La Closeria des Lilas. Uma brasserie francesa à séria, com tudo aquilo a que temos direito num aniversário: um antendimento incrível, um bairro lindo (Montparnasse), comida irrepreensível e um senhor a tocar piano durante todo o jantar.

Paris, 2015
Não fizemos reserva – eu sei, viver perigosamente – mas não foi um problema. Como o espaço tem restaurante (estupidamente caro) e brasserie, tem bastantes lugares e não tivemos problema nenhum em conseguir uma mesa bema gradável com vista para o ‘piano man’.
 
Por esta brasserie já passaram pessoas como Hemingway, Freddy Kruger, Paul Fort entre outros. E a casa decidiu fazer uma coisa bem divertida, que é dar-nos como individuais folhas de papel onde estão impressas as opiniões de cada um destes ilustres. Eu, como tenho a mania de que sou espetacular, fiz a minha própria dedicatória junto da destes senhores, no final de um jantar incrível.

Paris 2015
 Dificilmente teria encontrado um lugar melhor para celebrar. O espaço tinha a minha cara – um piano bar, boa comida, só locais a jantar com a família, uma boa carta de vinhos e um ambiente parisiense e tranquilo. 
A-d-o-r-e-i.

Imagem retirada da internet


Imagem retirada da Internet

E se eu já gostava da Inês de La Fressange, passei a ficar apaixonada por ela: era exatamente tudo como ela tinha descrito. 

Se gostam de Paris, se gostam de moda, se gostam de coisas bonitas, aconselho-vos vivamente a acompanhar a Newsletter semanal desta senhora. É tão bonita e tem tanta qualidade que faz lindamente à alma. E aos olhos.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Eu acredito. Verdadeiramente.



Há muito tempo – desde que comecei nesta vida – que me apercebo de uma coisa que sempre esperei que passasse: a displicência, o desprezo com que os jornalistas olham para a profissão.
Por norma, está tudo errado: os piores horários, o pior salário, o pior ritmo de vida, os elevados níveis de stress, a falta de estabilidade… Ainda esta semana saiu uma notícia sobre o facto de um jornalista norte-americano, galardoado com um Pulitzer, ter abandonado as redacções porque não tinha dinheiro para pagar a renda da casa. Toda a gente veio gritar: o jornalismo é mesmo assim.

Ontem, num grupo para jornalistas que existe no Facebook, uma recém-licenciada perguntou como poderia arranjar um estágio remunerado.
“Nunca vais conseguir, a menos que seja gratuito”.
“Não sejas jornalista”
“Se falas duas línguas põe-te a andar de Portugal”
“Para que é que tiraste esse curso? Ser jornalista é uma m*rda”

As respostas não foram exactamente estas, mas era precisamente isto que cada uma queria dizer. E eu fiquei a olhar para aquilo, enojada, a pensar: porquê? A sério, porquê? Quando entrei para jornalismo – depois de ter deixado para trás a minha linda ideia de ser actriz – o meu pai também estava preocupado. Contava com uma filha médica ou engenheira. Algo que desse dinheiro, estabilidade e algum estatuto. Mas disse-me: “se te faz feliz, faz-te à vida”.´

E eu fiz. Só que desde que aqui cheguei – sobretudo em Portugal – todos os que estão à minha volta parecem não gostar do que fazem. Contam-se pelos dedos das mãos as pessoas que conheço que realmente gostam disto e que têm os queixumes normais de um trabalhador (a falta de tempo, o salário, o cansaço, os chefes).

Porque é que as pessoas teimam em achar sempre que a nossa classe é a pior? Que toda a gente nos odeia? Que o nosso salário é o pior, que a nossa vida é mais horrível. Que o que fazemos é ridículo? Que não faz sentido? Que não vale a pena ser jornalista. Aliás, porque desencorajamos nós pessoas a seguir este caminho se ele é o nosso? E se o odeiam assim tanto, porque não o deixam e dão lugar a outros que ainda acreditem? Quando é que o jornalismo deixou de ser importante, relevante e a classe se tornou um monte de gente mal disposta, azeda, de mal com a vida e o mundo?

Um conhecido e respeitado pensador da nossa praça, com quem tive a honra e o prazer de trabalhar, disse-me uma vez: “a sua profissão é a mais bonita do mundo. Vá fazer o que a faz feliz”.

Eu, na minha ingenuidade infantil, acredito mesmo nisso. Que podemos mudar o mundo. Acredito quando leio uma notícia da Marta, através da qual conseguiu ajudar uma família a manter a casa que ia perder por causa das Finanças. Acredito quando leio uma notícia da Sílvia que fez com que uma miúda que foi violada recuperasse a dignidade com a ajuda de todos. Acredito quando leio os jornais do mundo inteiro a falar dos emigrantes que naufragam e obrigam a Europa a reuniões de emergência. Acredito quando vejo reportagens sobre urgências hospitalares que obrigam a acções. Acredito, até, quando recebo emails ou cartas de leitores a dizer que leram, que viram, que lhes tocou algum trabalho em particular.

Acredito que mesmo sendo passos muito pequenos, as pessoas que fazem o que fazemos, ajudam 
mesmo a mudar o mundo. Acredito no valor das notícias, na importância que temos na sociedade. Acredito e sinto-me absolutamente responsável por tantas coisas que acontecem e para as quais não nos dignamos a olhar. Acredito quando falhamos e quando acertamos.

E portanto não consigo embarcar na carneirada que diz que “ser jornalista não vale a pena”. Que é uma vida “de tanga”. Que “ninguém devia escolher ser jornalista”. Não consigo embarcar na carneirada que não é feliz a fazer algo que, humildemente, acredito ser verdadeiramente importante.
E tenho pena, mas uma pena que me aperta o coração, de que quem me rodeia não veja isto da mesma forma [talvez] ingénua e [talvez] infantil como eu vejo. Seríamos todos muito mais felizes e sobretudo, muito melhores jornalistas.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Saudades

Não vos consigo dizer as saudades que eu tenho desta miúda! Mas são tantas, tantas!

SP, 2009
Esta foto tem seis anos. Continuamos igualmente tontas. Igualmente amigas. Igualmente mega-estrelas.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

"Ha-des cá vir, há-des"



Os erros de português matam-me. Não me matam assim à primeira, mas vão-me matando, aos bocados. Não sei se é porque faço da vida a escrita, porque sempre li bastante, porque sempre tive bons professores de português – tirando ali no 9.º ano, que foi um flop – mas sei que fico mesmo nervosa. Irritada.

Incomoda-me que as pessoas nem sequer tenham dúvidas quando escrevem algo mal. Nos últimos dias tem sido um chorrilho de disparates a passarem-me diante dos olhos (agradeçamos às redes sociais): chuver, disses-te (um clássico, este), compençar, retractos. E depois há os erros de gramática: haviam muitos. Tinham contando-lhe. Concluíram de que. Há-dem. Tinha entregue. E por aí em diante, que há ainda toda a questão da pontuação, sujeitos, predicados and so on. E há aquela velha questão: “em caso DA ajuda falhar”…nossa!

Sou, efectivamente, o tipo de pessoa que fica incomodada com erros. Que faz julgamentos sobre as pessoas que dão erros – sorry –, que corrige toda a gente e que odeia ser apanhada numa falha de português. Incomoda-me ainda mais receber comunicados de imprensa mal escritos – caramba!, pessoas, é o vosso trabalho! Incomoda-me abrir jornais e ver erros. E livros? Dos blogues que proliferam por essa internet, então, é melhor nem falar.

Se não tiveram bons professores de português,  leiam, pessoas. Por amor de Deus, leiam. Leiam muito, escrevam mais, perguntem, usem gramáticas. Mas façam qualquer coisa. Não há coisa mais anti-sexy do que uma pessoa que não sabe escrever. A sério!

E pronto. É o desabafo do dia. Desculpem lá.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Boobs #4

Já não é a primeira, nem a segunda vez que escrevo sobre o assunto, mas agora venho com boas notícias. Em Janeiro, por razões profissionais, fui finalmente conhecer a loja Dama de Copas, da qual já ouvia falar desde que abriu, mas sobre a qual sempre tive dúvidas - um clássico, não é? Duvidar do que não se conhece.

Durante a minha primeira visita conheci as duas sócias-fundadoras da loja, e detentoras da patente do conceito "bra fitting" e consultoria de lingerie. Que é como quem diz: elas ensinam-nos efetivamente qual o soutien certo a usar. E, importante, tudo o que andamos a fazer mal com os soutiens que temos.

Começamos pelos tamanhos. Eu, que "claramente era um 36 C" passei a ser um 32F, por exemplo. O que é que isto significa? Que finalmente encontrei soutiens que me servem, e que são feitos para mim, ao invés de tentar encaixar as maminhas (ahah) nos que me serviam mais ou menos. Para vos tentar explicar a diferença que fez na minha vida, senti quase vontade de chorar quando experimentei pela primeira vez um tamanho que era realmente para mim.

Saí da loja já com um soutien vestido e quando cheguei a casa tirei todos - mesmo TODOS - os que tinha na gaveta. Nunca mais pensei neles, sequer. É uma impossibilidade, agora que consigo vestir toda a roupa que tenho no armário sem me sentir pessimamente e sem parecer que só tenho mamas.

Dama de Copas


Também melhoraram consideravelmente as minhas dores de costas e os constrangimentos por não conseguir vestir algum tipo de roupa (agora, todas as camisas fecham, todas as t-shirts mais justas não são um problema, todas as blusas assentam melhor).

Porquê? Porque na loja existem efectivamente todos os tamanhos - de costas, de copas...E para além disso, todos os modelos são giríssimos (além de me fazerem até parecer mais magra. Vantagens de ter tudo no sítio!!)

Dama de Copas
 Eu, que nunca pensei usar soutiens de copa mole, coloridos ou com rendinhas, agora estou absolutamente rendida.  Para já, é uma inovação na minha vida. Depois, são todos realmente mais bonitos e divertidos.

E quem vai já dizer que aquilo é bom é para mim, que sou uma pessoa bem dotada, desengane-se. Esta semana levei lá três amigas que se queixam, precisamente, de o não serem, e adoraram. Claro que não sentem o nível de diferença que eu sinto, mas uma delas só dizia "parece que estou a usar um soutien pela primeira vez". E e repente, até tinha mais maminhas do que aquilo que parecia!

Enfim, as peças não são caras se comparadas com as que são vendidas de marcas como a Triumph ou a DIM. Claro que não são comparáveis a lojas como a Oysho ou a Women's Secret, mas aí eu também já não conseguia encontrar soutiens, mesmo. Já fiz um investimento considerável na loja - mas enfim, mudei toda a minha gaveta - e acho que cada euro foi mais do que bem empregue. Aliás, já peço para não me trazerem peças para experimentar porque já sei que vou querer tudo:  ficam lindos, eu sinto-me impecável, fazem uns decotes incríveis...oh well!

Se lá forem, contem com uma compra demorada. Toda a gente tem que entrar nos provadores e experimentar as peças com a ajuda das bra-fitters, para garantir que traz exactamente o tamanho e modelo certos. As consultoras são também impecáveis na hora de nos mostrar tudo o que fazemos de errado com a nossa roupa interior.

Uma opção divertida - foi o que fiz esta semana - é juntar umas quantas amigas e marcar um workshop [gratuito], seguido das provas. É de chorar a rir, e é mais giro, obviamente. Para além de que a loja por norma oferece um desconto em todas as peças que sejam compradas pelas participantes no workshop.

E digo-vos: os modelos de Verão são de perder a cabeça.

PS: A loja tem também opções igualmente giras para pré-mamãs, para mães a amamentar, para mulheres mastectomizadas; bikinis, fatos de banho e lingerie própria para desporto. É ir, meninas, é ir. 






quinta-feira, 9 de abril de 2015

Um cão negro

Já aqui escrevi sobre o assunto, na primeira pessoa. Podia escrever uma segunda vez, porque voltei a passar por ela. No entanto, mais do que contar histórias, importa ver os sinais, olhar para quem nos rodeia e não optar pelo caminho mais fácil: o de nos afastarmos de quem só tem para nós palavras feias, azedume e pedras na mão que na verdade nos não são dirigidas. Porque é nessa altura que mais precisamos dos nossos amigos: quando não se vê mais nada a não ser escuridão, dor e sofrimento. É aí que os amigos são a luz e a coragem que nos desafia, que nos alegra, que nos move.

Para quem tem dificuldade em perceber como é que uma depressão acontece e como se manifesta, este vídeo da Organização Mundial da Saúde é uma ajuda preciosa. E diz de uma forma tão simples como se pode prevenir e lutar contra algo tão complexo.

Não ignorem. Não fujam. Não escolham o caminho mais fácil. Sejam presentes. Podem estar a salvar vidas. Verdadeiramente.


quarta-feira, 8 de abril de 2015

Do lado de lá

Aquele momento em que abrimos as páginas online do jornais do Brasil - porque queremos ler as notícias - e de repente temos a nossa cara em destaque! O_o!!


quinta-feira, 2 de abril de 2015

Parabéns, Meg! :)

Chegaram. Os trinta chegaram e eu confesso que não senti nada a não ser uma alegria imensa. Bom, é um facto que eu adoro fazer aniversário - já sabíamos, verdade? Fazer trinta anos, numa da minhas cidades favoritas, na melhor companhia do mundo, como presente surpresa, nos únicos braços que fazem sentido...

Nem o frio, nem a chuva, nem os mais de 15 quilómetros - que bons, que bons!! - por dia podiam tirar a magia do dia em que completei três décadas de vida. De uma vida cheia, tortuosa, incrivelmente feliz.

Da felicidade. Por ser.
Ainda que longe senti-me abraçada - tão abraçada - por aqueles que têm escolhido ficar na minha vida. Pelos que não se esqueceram. Pelo que fizeram o esforço da lembrança. Pelas mensagens, telefonemas (querida, querida S., que surpresa boa, que bom!), emails, fotografias em formato de carinho. Fui feliz não pelo que vivi durante aquele dia mas pelo que tenho vivido com todas as pessoas que fazem de mim aquilo que sou hoje. Pelo que tenho em mim, pelo que sou. Pelo que me dão.

Fui feliz, claro, também por poder almoçar e jantar em lugares que de repente se tornaram tão especiais. Por poder passear naquelas ruas que me deixam sempre tanta saudade e encantamento. Por, no dia seguinte, partilhar o dia com o meu irmão-do-meio e sentir os abraços de que tantas saudades tinha, também [que bom presente de aniversário!!] Por poder ver a magia diante dos olhos, ao por-do-sol, quase um postal de beleza no frio que não deixou de se fazer sentir.

Surpresas. Reencontros. [Chosen] family


Por poder voltar aos lugares que me enchem o coração, agora de mão dada com quem me preenche a vida, e partilhar a alegria infantil de o fazer. Por poder não ter planos durante uns dias, e ter apenas tempo para estar. Para ser. Para agradecer.

As celebrações dos 30 vão durar 30 dias. Porque eu decidi que quero, durante um mês, agradecer por tudo o que a vida me tem trazido de bom e de menos bom. Por isso, assim que cheguei, ao quarto dia dos 30, celebrei também com as pessoas que fazem parte da minha vida, todos os dias. Que me aturam os dramas e me fazem crescer. Que me acolheram de braços abertos e me ajudam a ser cada dia mais feliz. E parece que é há tanto tempo ao mesmo tempo que é há tão pouco. E partilhei com os meus. Com os que nunca me deixam cair, trinta anos volvidos.

O bolo. Que só podia ser da querida Lénia [ou da mãe. Foi da Lénia, incansável, presente, incrível]
E com aqueles que ainda me surpreendem - tantos anos passados - pelo esforço. Pelo carinho. Pela presença. Por deixarem o descanso por uma noite e não se importarem de a partilhar comigo. Por fazerem o esforço de estar, mesmo quando a vida quer trocar as voltas. Por se quererem fazer presentes num dia de semana a horas impróprias, já tanto tempo depois do aniversário. Ainda me surpreendo por esta família que fui escolhendo - aliás, que me foi escolhendo - ao longo do caminho. Pela capacidade que têm de me aquecer o coração.

Não tenho palavras para agradecer a todos os que me fazem tão feliz. Não tenho forma de expressar a minha gratidão por tudo o que a vida teima em me dar.

[E agora entramos no Tríduo Pascal - gosto tanto da Páscoa - portanto, vamos lá reflectir sobre coisas mesmo boas! Até para a semana]

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