quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Amamentação à vista do mundo


Frente & Verso

"Facto: amamentar é tão natural quanto assoar o nariz, coçar as costas ou bocejar. Faz parte das “funcionalidades” com que vimos equipadas de série. A dada altura das nossas vidas é, pois, natural que aqueles dois altos que nos adornam o tronco sirvam para alimentar as crianças que parimos (mas não é obrigatório que sejam utilizados com este propósito - não sou fundamentalista da amamentação nem esse é o tema desta crónica).
Posto isto, não percebo todo o alarido em torno do assunto. Pessoalmente, não me incomoda nada ver alguém a amamentar. É uma coisa natural, ok? Não tem que ser exibida, não tem que ser escondida. Da mesma forma que não acho necessário que alguém se recolha a um aposento qualquer para se assoar, também não vejo grande necessidade em encobrir o momento da amamentação.
Se eu estiver numa sala com uma amiga que amamente e a criança dela desatar a berrar com fome, pois que amamente à vontade! Se ela não se sentir constrangida, por mim, “é na boa”, alimente-se a criança e siga a banda.
Já passei por isto. Amamentei duas vezes (ou melhor, várias - muitas! - vezes, duas crianças, em épocas distintas). E amamentei onde calhou, quando tiveram fome. Em casa, no café, no shopping, na sala de espera do médico. Com gente a ver, sem gente a ver. Lamento, mas não me incomodava minimamente que houvesse mais pessoas na mesma assoalhada onde eu estava a amamentar. E, estando em casa, nunca me ocorreu ir trancar-me no quarto para amamentar “às escondidas”.
Só houve uma situação em que me senti constrangida. Estava num shopping, nuns sofás daqueles que há a meio dos corredores, com a minha mãe e com a minha filha mais velha (a amamentar o mais novo). À minha frente, um senhor com idade para ser meu avô olhava fixamente para o meu peito. Incomodou-me não a presença de outras pessoas (quer dizer, nem podia… eu estava no meio do shopping, não é?), mas a forma “babada” com que ele olhou para mim. Resolvi o problema sem alaridos: puxei uma fralda para cima do acontecimento e continuei o que estava a fazer. Foi a única vez. De resto, sem dramas. Porque, para mim, no que toca à amamentação, o peito é só um recipiente, completamente desprovido de qualquer conotação sexual. Serve apenas e só para alimentar uma criança com fome. Quem não gosta de ver tem bom remédio: não olhe…"

[A Frente desta crónica está aqui.]

Sem comentários:

Enviar um comentário

Ocorreu um erro neste dispositivo