sexta-feira, 28 de junho de 2013

Dos sorrisos

A minha vida está cheia de pessoas maravilhosas. De verdade. Umas mais recentes, outras que já vêm de há tanto tempo. As minhas pessoas enchem-me de mimos, de carinho, e sobretudo, enchem-me de amizade. Não há cerimónias nem palavras brandas quando não tem que haver. Não faltam elogios e agradecimentos. Não faltam ralhetes, pedidos de desculpa ou discussões. As minhas pessoas fazem de mim alguém melhor, todos os dias.

Não sei como e por que é que a vida me sorri tanto, mas a verdade é que não tenho parado de conhecer pessoas absolutamente fantásticas, que nos dias em que por alguma razão não me apetece sorrir tanto, elas aparecem para iluminar o meu dia. As minhas pessoas, as mais recentes e as de há mais tempo, são fantásticas. E quando as pessoas me perguntam - algo regularmente - por que raio é que eu respondo sempre que 'está tudo ótimo na minha vida' é claramente porque não sabem quem são as minhas pessoas.

Se soubessem, ou se as tivessem nas suas vidas, iam entender...que a vida só pode ser fantástica quando temos pessoas maravilhosas a sustentá-la.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Receitas grÁtEs

Porque quando o Universo nos traz uma coisa, traz logo duas ou três, eis que nesta nova fase da vida, surge também o desafio de escrever para um outro sítio. 'A Farmácia de Serviço' é o blogue que devem adicionar à vossa listinha de leitura, porque é de passagem obrigatória.

A ideia foi do Paulo Farinha, jornalista e editor da Notícias Magazine, e o grande autor deste espaço. Mas convidou mais umas dezenas de 'farmacêuticos' para se juntarem a ele nesta aventura. Eu fui uma das pessoas desafiadas, e não podia deixar de participar num espaço deste gabarito.

Passem por lá e descubram todas as pessoas que vão poder ler a partir desta semana, fora dos seus espaços habituais. Vão encontrar imensos nomes conhecidos e APOSTO que vão divertir-se imenso. E claro, passem a palavra.

Podem acompanhar as receitas diárias da farmácia no Facebook!, as well!

Have fuuun!!! :D

quarta-feira, 26 de junho de 2013

O novo-amor-do-meu-cabelo!


Da esq. para a dta, de cima para baixo: o meu cabelo antes (não havia fotos melhores, sorry);  três fotos das três horas que passei hoje no cabeleireiro; o resultado final.


Esta coisa de se mudar de emprego é quase o mesmo que mudar de namorado. Exige preparação, tempo,certezas e, obviamente, um corte de cabelo - com ou sem mexida na cor do dito cujo.

E foi precisamente isso que eu decidi fazer hoje, aproveitando que estou de férias, e que raramente tenho três horas para me enfiar num salão de cabeleireiro a menos que seja muito obrigada - como fui antes do casamento. Além disso, no Sábado conheci o mais recente-grande-amigo-do-meu-cabelo-e-paixão-de-cabelos-para-sempre: o Nuno. E quem é o Nuno? Ora, o Nuno é o meu [sim, com todo esse sentimento de posse] novíssimo cabeleireiro, que eu conheci através do meu excelentíssimo esposo (!!!!) e que já me conquistou.

Como sabem, porque já escrevi aqui umas mil vezes, eu não tinha cabeleireiro em Lisboa. A minha pequena Raquel, de S. Martinho, safou-me até agora, mas com as viagens cada vez menos frequentes e a quantidade de coisas a acontecer, tornava-se urgente encontrar alguém de confiança para deixar mexer no meu benzinho mais precioso aqui pela cidade. Portanto, no Sábado o Nuno meteu as mãos na massa e deu ao meu cabelo um valente corte - para mim, para ele foi um cortezinho ;) - antes de fazer o espetacular penteado que durante mais de 12 horas resistiu a ventos e danças loucas no casamento da M. e do R.

E hoje voltei lá para ele tratar da cor do pequenote, uma vez que uma semana na Califórnia e meia dúzia de dias de praia já as tinham posto com aquele amarelo queimadinho pelo sol que não se aguenta. E foi assim que, em três horas, o meu cabelo ficou como vêem no canto inferior direito - por oposição ao canto superior esquerdo!

Madeixas, um tratamento de hidratação A-M-A-Z-I-N-G (juro! nem sei bem qual é, mas deixou-me o cabelo de tal modo suave que só me apetece mexer-lhe sempre) e um brushing muito bem feito e 'tcharaaaaan': eu de repente fiquei espetacular! Isso e um atendimento impecável, note-se!

E portanto, as próximas visitas já estão marcadas. E eu estou uma vaidosona do pior, a querer mostrar o meu querido-novo-cabelo a toda a gente. Roam-se de inveja :) Ou então façam uma marcação com o Nuno :D

Nuno de Oliveira
Avenida Casal Ribeiro, 42 B (ao Saldanha). 
Informações e marcações:  211 913 220 ou 912 406 796


segunda-feira, 24 de junho de 2013

Like

 Gosto muito de nós. Gosto de nós mais do que achei possível um dia gostar de algo que não fosse a minha família. Gosto de nós porque não temos a relação perfeita, mas temos a nossa relação perfeita. Gosto que saibamos discutir e resolver. Gosto que tentemos resolver as pequenas quezílias que vão surgindo. Gosto de me ver a ceder em coisas tão banais - pensam vocês - como o lugar onde está a carpete da sala. Gosto de o ver a lavar a loiça e a dobrar a roupa com afinco, mesmo que só o faça desde que estamos juntos porque antes mal sabia que isso tinha que ser feito todos os dias.
28 Março 2012


Gosto de acordar, de manhã, e de o deixar a dormir, se for esse o caso. De me esgueirar para a sala, com as janelas abertas de sol, e aproveitar o silêncio da manhã para tratar das minhas coisas. Ou só para escrever - a vontade de escrever tem aumentado tanto, tanto, nos últimos tempos. Gosto de lhe dar os bons dias quando já passou o meu mau humor matinal que choca com a alegria esfuziante com que ele teima em acordar.

Gosto de arrumar e limpar a casa quando estou de férias, ou de folga, para que quando ele entra se sinta bem no espaço que tem. Mesmo que odeie limpezas com todas as minhas forças. E gosto que ele se esforce para dar valor a isso, ainda que tenha tido sempre a casa limpa e arrumada e não ligue pevas a esse facto.

 Gosto dos nossos silêncios e do nosso espaço. Gosto das noites em que posso estar no sofá, calada, concentrada nas minhas séries ou no meu livro e ele está na sua vida. Gosto que não precisemos de falar durante duas horas e gosto ainda mais de ser supreendida com um beijinho sorrateiro a meio de uma página ou de uma cena. Gosto que ele me chame à razão e me lembre que não estou sozinha. Que a minha vida já não se decide sozinha. E gosto de tratar dele e de lhe dizer que agora somos dois.

Gosto de ter um marido que me marca cabeleireiro e que se preocupa com o tamanho do meu cabelo. Gosto de mandar limpar o fato dele e de pensar que é bom tratar destas pequenas coisas. Verdadeiramente. Gosto que partilhemos os mesmos princípios e que demos por nós a gostar mais e menos das mesmas coisas quando vamos a algum lugar. Gosto também quando odeio as piadas de que ele se ri horrores. Porque eu sei que ele se vai rir e ele sabe que eu vou odiar. Gosto de partilhar com eles os momentos mais importantes das nossas vidas e das vidas dos nossos amigos. E gosto muito, muito, de sentir todos os dias, que demorámos demasiado tempo a ficar juntos.

[E que ainda não fez LIKE no facebook, é aqui ;)

domingo, 23 de junho de 2013

Happily ever after

Pormenor das mesas; details; nós na receção; a ementa; um pormenor do vestido da noiva (que também se rendeu ao laçarote ;)
Cabelo by Nuno de Oliveira (a minha mais recente descoberta maravilhosa); vestido  by Urban Outfitters;  sapatos Fátima Alves e make up by me ;)

Ver amigos felizes é das coisas que nos faz mais felizes. Por isso, ontem vestimo-nos a preceito para o primeiro casamento a que fomos depois do nosso, e celebrámos o amor da M. e do R., um casal muito querido que foi entrando nas nossas vidas ao longo dos últimos tempos.

Divertimo-nos à brava depois de uma manhã absolutamente divertida a dois, entre cabeleireiros e histórias para contar. Fomos acima de tudo sorrir muito com os nossos amigos que há um mês também sorriram no nosso dia!, porque esse é o melhor presente que lhes podemos dar pela vida fora: sorrisos. Sempre.

A noiva estava linda, ambos estavam felizes e tudo correu conforme o previsto. Resumindo, foi maravilhoso, como todas as histórias de amor devem ser! E nós sabemos que eles vão ser muito felizes, porque ele lhe dará a mão sempre que ela precisar, e ela o amparará sempre que ele se sentir mais fraco. A partir de ontem a M. e o R. transformaram-se naquilo que desejavam há imenso tempo: uma família. E nós cá estaremos para ajudar a contar a história!

sábado, 22 de junho de 2013

The end

Encaixotei três anos e meio da minha vida em praticamente duas horas. Guardei fechos do PSI 20 porque sei que me vão trazer saudades. Fechei a caixa que não sei ainda quando terei coragem de voltar a abrir.

Agora vou descansar. E divertir-me. E preparar-me para o que aí vem, que vai exigir muito, tanto, de mim. Eu disse que 2013 ia ser um ano e tanto...

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Confusão

É isso que o meu coração é, neste momento. Hoje a minha vida muda. E eu estou a ver como é que eu reajo à minha própria opção. Com a certeza de que estou muito bem segura, mas com os receios de quem adora o que tem.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Acorda!, Portugal!

Hoje é quarta-feira, e há três dias que o Hugo não para de receber leões em Cannes. Ouro, prata, bronze...já não sei em quantos vai, só sabemos que a cada dia, a cada hora que passa alguém avisa que ganhou mais um, na sua página no Facebook!

Acorda, Portugal. Há filhos teus a ganhar o mundo. Deixa de enterrar a cabeça na areia e de te vitimizar. Deixa -te de queixumes e põe os olhos em quem vale a pena. Deixa de exaltar nomes que falam muito e fazem pouco e dá a honra a quem a merece.

Três dias. Eu contei oito leões. Mas há montes deles que não contei. Acorda!

terça-feira, 18 de junho de 2013

Da posse

Assumir que não sabemos tudo, ao contrário do que muita gente pensa, é um ato de grande inteligência. E de humildade. Porque, obviamente, não podemos saber tudo sobre tudo, e muitas vezes o que sabemos é muito menos do que o resto do mundo sabe sobre o assunto em questão. No outro dia, dei por mim com um sorriso nos lábios quando a minha irmã mais velha me pediu algumas indicações sobre São Francisco, porque deve lá ir passar uns dias.


Abril 2013 - a melhor madrinha 'importada' de sempre :)

Ora, a minha irmã é possivelmente a pessoa que eu conheço que mais regularmente vai aos EUA, que mais cidades conhece nessa base e que mais sabe sobre viajar para o meu-amor-mais-recente. Foi ela, aliás, que preparou praticamente toda a nossa lua-de-mel, com indicações de milhares de coisas. Só que o problema é que ela nunca foi a São Francisco. E como São Francisco não é NYC, nem Chicago, nem Boston, nem outra qualquer, ela pediu ajuda.

Para ser realista, ela até ouve conselhos sobre NYC - a cidade que visita praticamente uma vez por ano há não sei quantos anos. Onde foram? Onde comeram? O que viram? A sério? Vou anotar..

Tal como nós, quando chegámos a NYC, por exemplo, quisemos ir jantar com o R. e com o P. Porque eles vivem lá e portanto devem conhecer aquilo melhor do que eu. Faz sentido? Faz. Porque eles, ainda assim, obviamente que conhecem a cidade melhor que a minha irmã. Porquê? Porque vivem lá. E viver num lugar é conhecer-lhe as entranhas. Ir lá de férias, é apaixonarmo-nos pela cobertura. É triste, meus amigos, mas é assim.

Quem vive num país conhece-lhe o melhor, e o pior. Quem vive num País sente-lhe a História, a alma, os defeitos e as virtudes como se de nosso se tratasse. Ir lá de férias é fingir que conhecemos algo que na verdade desconhecemos por completo. Eu não conheço Paris. Eu vou lá, oriento-me lindamente e até sei onde ficam as coisas. Mas viver em Paris? Com os ratos nos restaurantes, as casas minúsculas, os preços exorbitantes e provavelmente o glamour de todos os dias, sei lá eu? Isso eu não conheço. Porque não vivo lá.

Eu não conheço Barcelona, Madrid, NYC, São Francisco, Sevilha, Porto Alegre, whatever... eu passei lá, como milhares de turistas fazem, mas não sei as cidades. Não lhe conheço todos os defeitos e muito menos posso ter a pretensão de lhes conhecer tudo o que elas são. Porque não conheço. Viver num lugar é conhecer as gentes, pedir-lhes emprestadas as vidas, os sorrisos, as expressões, as palavras, os lugares que estão na moda e os preços mais baratos. Conhecer uma cidade é ter uma rotina aos Sábados e aos Domingos, ter restaurantes favoritos e lugares que odiamos. Conhecer uma cidade, conhecer um País, é conhecer-lhe a forma de pensa, intrincada no dia-a-dia e não somente o 'mood' alegre com que nos recebem quando somos turistas.

E ainda assim, quando abandonamos um outro país, uma outra cidade em que vivemos, é preciso manter vivos os contactos que nos fazem não ser apenas turistas quando lá vamos. É preciso manter vivo o pensamento, o conhecimento, as informações, e sobretudo o laço. O amor que se cria por uma cidade, um País que não é o nosso mas podia ser. E nenhum País podia ser nosso em duas semanas. Um país só pode ser nosso em meses. Às vezes em anos.

E só assim, sendo também um pouco nosso, lhe podemos sentir saudades daquelas muito a sério. Saudade de estar e não saudades de, simplesmente, estar em viagem. Só assim podemos compreender-lhes os conflitos, as lutas e as desigualdades. Porque foi nosso. E nada é nosso só porque lá passámos umas férias.


Wedding: os falhanços

Como não podia deixar de ser, obviamente que houve coisas que falharam. De que nos esquecemos ou que simplesmente nem sequer preparámos ou preferimos abolir. A saber:

o bouquet-mais-lindo-do-mundo


O mais dramático - o beijo! Esquecemo-nos totalmente de dar um beijinho depois de estarmos 'casados'. O Sr. Padre não disse e nós não nos lembrámos. Portanto, há uma cena hilariante no nosso vídeo, que sou eu a olhar para os padrinhos dele de sobrolho franzido enquanto eles gesticulam o beijo, o beijo!! E eu respondo com um sorriso Esquecemo-nos! Ele dá-me um beijinho na bochecha e fica tudo bem. [Ou como diria o R, chegado diretamente de NYC: You totally screwed up with that kiss].

O tradicional - A entrada dos noivos na sala. Houve um dia em que até nos lembrámos de decidir qual a música com que entraríamos mas deixámos para depois pensar como o faríamos. Obviamente que nunca mais nos lembrámos do assunto e entrámos aos pulinhos, feito idiotas, só para dizer que faríamos algo... ainda hoje tenho vergonha de ver as imagens daquela cena improvisada e quase deprimente - mas totalmente a nossa cara!

O clássico - A valsa. Não dançámos a valsa. Não dancei com o meu pai a música seguinte e nem ele com a minha mãe. Dançámos ao som do 'Fly me to the Moon', uma das nossas músicas favoritas, e foi um momento maravilhoso. Depois, eu fui buscar o meu pai para dançar uma discotecada qualquer e a minha mãe deu um bailinho ao noivo com um 'twist' soberbo! Nada estava programado mas foi, possivelmente, dos momentos mais giros da noite.

A surpresa - tínhamos comprado umas lembranças que queríamos mesmo entregar a algumas pessoas que foram muito importantes para nós em todo o processo de preparação do casamento, e que não faziam parte do nosso grupo de padrinhos e madrinhas. Deixámo-las lá na véspera, em lugar combinado entre todos. Nunca mais nos lembrámos delas. Estão em casa, à espera do dia em que as vamos entregar a quem de direito...ups!




segunda-feira, 17 de junho de 2013

Do dinheiro [dos outros]

26 de Abril 2013
Eu não pergunto às pessoas quanto elas ganham. Muito sinceramente, porque não quero saber. E depois, porque odeio que o façam. Não creio, sequer, que seja um assunto de foro público, pelo que também não entendo as pessoas que discutem os seus salários à mesa de café. Eu discuto o meu salário com os meus chefes e com o João, agora. Antes fazia isso somente com os meus pais ou as minhas irmãs - ou claro, com um amigo muito especial e ainda assim só em certas situações. Porque é um assunto privado.

E tal como me faz confusão que as pessoas me perguntem quanto ganho, porque é questão que não coloco a ninguém, a menos que esteja a ter uma conversa que precise dessa informação para continuar..o que é raro, como podem imaginar. E por que é que acho desnecessário - e indelicado, na verdade - falar sobre os salários de cada um? Porque as pessoas tiram ilações imediatamente e sem se darem conta. Como é que com aquele salário têm aquela casa? Como é que com aquele salário compra aquilo? Como é que com aquele salário faz aquelas viagens? E por  aí vai. E eu acho que isso não é assunto que as outras pessoas tenham que discutir. Para mim, falar sobre quanto ganhamos ou não é praticamente o mesmo que discutir a roupa interior que temos na gaveta. Ou seja, é um assunto para falar com as pessoas que nos são íntimas. Ponto.

E incomoda-me esta necessidade das pessoas de saberem quanto é que os outros ganham. Como se a sua vida ou se os seus salários dependessem disso. Como se o dinheiro dos outros fosse da sua conta. É como se houvesse uma satisfação sinistra quando a pessoa ganha menos do que estavam a pensar ou uma inveja mordaz quando a pessoa diz ganhar mais do que seria suposto. É a sensação que tenho. Verdadeiramente.

Portanto, não. Não entendo e não concebo conversas casuais sobre salários. Nem as acho normais.

[tal como não acho normal haver pessoas estarem constantemente a queixar-se com falta de dinheiro e depois gastarem balúrdios em almoços e jantares fora e concertos e coisas que tais. Não que tenha alguma coisa a ver com o que elas gastam. Não quero é ouvir queixumes e ver ações contraditórias. Mas isso é coisa para outro texto]






Amour, amour, amour

Não sei. Não por que é que as pessoas teimam em insistir em relações nas quais nem elas próprias acreditam. Não sei por que se casam quando sabem, tantas vezes, que o que sentem, não é amor. Por que é que vais casar com ele? 'Porque passámos por muita coisa juntos. Porque sobrevivemos a todas as dificuldades. Porque crescemos juntos. Porque gostamos um do outro'...

Isso não é amor, pessoas. Isso é hábito. É, no máximo, trabalho de equipa!

Quando casamos - ou nos juntamos, whatever - com alguém, não o podemos fazer de ânimo leve. Não é como partilhar a casa com colegas de faculdade. Porque vamos, literalmente, viver com aquela pessoa para o resto da vida. É isso que se quer. Não queremos um colega de equipa. Não queremos um colega de casa. Não há lugares a jantares no quarto para não olhar para a cara do outro. Não nos escondemos nos headphones quando não queremos conversar. Não há uma escala das tarefas domésticas no frigorífico.

Quando decidimos partilhar a vida com alguém, queremos que essa pessoanos acolha as lágrimas, que nos encoraje nos desafios, que queira partilhar connosco que tropeçou na rua mesmo que isso nos interesse tanto quando aprender a fazer ponto-cruz.

Quando decidimos casar com uma pessoa, temos que ter a certeza de que até nos maus momentos aquela é a metade que queremos connosco. Que ainda que tenhamos vontade de a atirar da janela porque tivemos uma discussão, na verdade não escolheríamos mais ninguém para partilhar a casa, para partilhar a vida. Quando casamos deixamos de lado os egos, os orgulhos, o querer ser mais e melhor que o outro. Deixamos de fora a ideia de que passámos muita coisa juntos. Até podem não ter passado nada. O que importa é o que aí vem. O que importa é que não pode haver uma noite em ele foi sair sem mim e chegou de madrugada e não me disse onde estava, MAS até é querido e fez o almoço. O que importa é que um casamento é muito mais que uma parceria, que um trabalho em equipa, que uma vivência em comum. É uma vida.

Quando decidimos casar com alguém, queremos que esse  alguém que respeite o nosso silêncio, que nos acolha os medos e ansiedades e que nos ajude a pensar em soluções. Queremos alguém que nos diga a verdade acima de tudo, que dê a vida por nós, que nos queira como somos. Alguém que aprenda - e nos obrigue - a fazer cedências e a encará-las como algo natural e não como um sacrifício constante. Que desperte o melhor que há em nós e não que nos angustie com as incertezas de uma relação que não é firmada nos valores mais sérios e importantes de todos: o amor, a verdade e o companheirismo.

Por isso, quando me perguntas porque tanta gente casa com pessoas de quem não gosta de verdade, eu só tenho uma resposta que me parece 'lógica': porque não gostam delas próprias.E preferem uma vida de mentira a uma vida a sós.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Ah!, as saudades que eu tenho disto...

Carmel-by-the-Sea, CA, April 2013



West Coast, CA, April 2013

Santa Barbara, CA, April 2013

Santa Barbara, CA, April 2013



quarta-feira, 12 de junho de 2013

dos irmãos

"O que era aquele cabelo??", disse-lhe eu. "E tu?  Cara gorda!", ouvi em resposta. A conversa podia ser com um irmão meu, tivesse eu irmãos. Mas não tenho. Lá em casa são só manas. Não tenho, de sangue, mas a ter algum, claramente seria ele. O Rodolfo tem sido mais do que um irmão nestas lides, que vão muito para além da música, que nos juntou. Há uns dez anos [será?] ele perguntou-me se eu teria colírio para os olhos - lembras-te? Estávamos ao pé da mesa de som, em pleno festival. E a partir daí, a minha vida nunca mais foi a mesma...Foste meu companheiro de aventuras e desventuras, fomos a festivais da canção gritar pelos Homens da Luta (NOT!) e cantaste, tão bem, no meu casamento...=)



De festival em festival, fomos crescendo, fomo-nos conhecendo e em 2006 decidimos tentar a nossa sorte juntos. Até aí concorríamos em grupos diferentes e fazíamos conversa de circunstância. Há sete anos o Rodolfo sugeriu que nos juntássemos e lá fomos nós. Eu não consigo musicar isto, dizia ele. Anda lá, não sejas mariquinhas, respondia eu. As noites de gargalhada, de pão quente da tia A., os jantares cheios de conversa idiota e os ensaios, cada vez mais espaçados e menos numerosos faziam a alegria daqueles dias que antecediam a mega festa.

Temos que ensaiar mais uma veeeez, gritava ele.
NÃO TENHO TEMPOOOOO!

Telefonemas, mensagens, gritos, gargalhadas - muitas! - desavenças..em sete anos tivemos de tudo, como têm os irmãos. Quando eu estava no Brasil e ele em Paris assistimos ao Festival da Eurovisão juntos, e comentámo-lo via Skype [quem mais o faria?]. Fizemos músicas à distância de um Oceano, e outras vezes simplesmente à distância de um piano. A cada canção que construíamos juntos, as dúvidas repetiam-se: não resulta. está igual à anterior. falta-lhe alguma coisa. Mas lá, em palco, todas elas brilhavam. Ainda hoje não sei bem porquê, mas é possível que a resposta esteja na frase que mais dizemos um ao outro: Gosto tanto de cantar contigo.

A loucura que partilhamos fez-nos encarnar James Dean, Marilyn Monroe, Beatriz Costa, António Silva, Aladino, Jasmine... só tu passarias três meses seguidos a aprender canções, a ensaiar até à exaustão, a tentar acertar passos de dança e a escolher o guarda-roupa para uma noite. E só contigo é que eu o faria, por saber que a tua boa disposição me dá coragem para continuar. E porque, realmente, gosto de cantar, de partilhar um palco contigo.

Este ano despedimo-nos das lides festivaleiras. Pelo menos dos concursos. Por muita muita insistência tua fizemos mais uma canção. Encontrámo-nos duas vezes (ahah) e chegámos àquele pavilhão que conhecemos tão bem, já sem a euforia dos outros anos, mas com a certeza de que nos iríamos divertir. E mais uma vez, surpreendemo-nos com o resultado final. Agora é hora de arrumar bagagens, guardar nos sorrisos e na memória tantos anos e canções e partir para outros voos. Com a certeza -e o desejo - de que nunca deixaremos de cantar juntos. Porque não há outra pessoa com quem mais goste de partilhar o palco. De verdade!


terça-feira, 11 de junho de 2013

You go, girl :)

Ninguém disse que ia ser fácil, querida E. Ninguém te disse que um vida a dois, com tudo o que isso implica, era uma vida tranquila. Não é. E mesmo que vocês fossem metades da mesma laranja, não seria. Porque tantas vezes a vida transforma uma das metades e deixa a outra mais protegida da oxidação. Isso não tem nada mal. Não tem que ter. Aliás, qual seria a vantagem de serem pertença de um mesmo fruto? Para teres alguém igual a ti, bastas tu mesma. E não há dias em que estás cansada de ti? Eu tenho dias em que estou cansada de mim. Se tivesse alguém como eu em casa, provavelmente quereria tudo menos voltar para lá.

Mas essa é a grande vantagem de teres alguém que não é a metade do teu fruto: quando tu azedas, vais buscar-lhe o açúcar. Quando começas a amadurecer, vais pedir-lhe a frescura. Quando te cortam em pedaços e te arrancam a casca, pedes-lhe que te reconstrua com outra cor, com outro sabor, com outra fibra. E renasces, melhor do que eras, porque é assim que as pessoas se complementam. É por isso que lhe dás a mão e é por isso que ele te cansa. É por isso que esmoreces e ele te dá ânimo. É por isso que ele arrisca e tu apoias. É por isso que ele perde o entusiasmo e tu lhe dás a motivação.

Porque o amor e as relações são feitas de diferenças e não de similaridades, tantas vezes. E é por isso, também, que sei que vais buscar a réstia de força de que precisas ao teu esconderijo secreto - claro que tens um. Todos temos. Vais buscá-la, enquanto choras, porque as lágrimas dão-nos força [nunca percebi o drama das pessoas em relação às lágrimas. Chorar reconforta. Chorar lava a alma e deixa-nos mais livres] e vais olhar para a vida de frente como tens feito.

Vais dar-lhe a mão, esperando que ele também te passe alguma energia, e vais continuar a construir este caminho que tanto te tem custado. Porque apesar de ter sido mais ou menos doloroso, é o teu, o vosso caminho. E portanto vais dedicar-te a ele como te dedicas a tudo aquilo de que gostas na vida.

E vais vencer. Porque és uma lutadora.

Zé Maria

[a pedido da C.]

Pouco tempo depois de voltarmos de lua-de-mel, foi altura de regressar aos momentos importantes dos amigos. O Zé Maria, nosso mais recente amiguinho, foi batizado em Maio e nós obviamente não íamos faltar à festa. Como não tive propriamente tempo para pensar em guarda-roupa [e como temos tantos eventos este ano decidi reutilizar alguns dos vestidos], o vestido Adolfo Dominguez amarelo voltou a sair do armário - tem muitos anos mas continua impecável!



25 Maio 2013

Juntei-lhes as minhas  Melissa Incense, que são muito altas mas muito confortáveis e o dia passou-se lindamente. Como já estava um bocadinho farta de ter o cabelo apanhado - depois de ter tirado 50 ganchos do cabelo no dia do casamento precisava de lhe dar descanso, achei por bem esticá-lo somente e aproveitar que está enorme para o poder abanar ao vento :p


Imagem retirada da Internet

E pronto. A cerimónia foi das mais bonitas a que já assistimos, fartámo-nos de chorar [verdade!] e o Zé Maria portou-se lindamente. Venham os próximos batizados dos filhos dos amigos! Yeay!

No dia seguinte estávamos de volta às calças de ganga, mas daqui a duas semanas temos nova festa. O modelito também já está escolhido mas não pode ser revelado antes do tempo. :)


sexta-feira, 7 de junho de 2013

Que pena...

Conhecer pessoas interessantes. Perceber que, cada vez menos, pertenço a este País. A esta pequenês. Dar conta de que Portugal tem tanto de bom quanto as pessoas têm de miserabilistas. Ter conversas fantásticas que podem dar um trabalho incrível. Ter pena, miuita pena de quem não percebe que pode ser mais. Ter pena deste Portugal cinzento como a alma, como a disposição das pessoas. Sentar-me, sozinha, com vista para a cidade, a pensar que seria muito mais feliz num lugar onde as pessoas, pelo menos, soubessem sorrir.

Os portugueses perderam a capacidade de sorrir.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Honey Moon

Já vos disse que foi de sonho?...


Escape from Alcatraz

<3
West Coast

TOP

Obrigada!

Conheci a Lénia há pouco tempo, como já escrevi aqui. De repente, tornámo-nos uma mesma folha de papel e escrevemos, todas as semanas, sobre temas que nos dividem, de alguma forma.Uma tarefa que se vai tornando mais difícil à medida que o tempo avança porque temos muitas coisas que nos unem - o que é bom. É ótimo.

No outro dia, aborrecida com o cabeçalho do blogue, comentei com a Lénia que precisava de ajuda para o alterar. E ela, mais do que ajudar, disponibilizou-se a fazê-lo [e digam lá que não está impecável?]. E fê-lo num dia particularmente difícil, onde as notícias más toldaram a tarde e cuja noite foi passada no cenário de que todos nós tentamos fugir. E eu, que já me tinha esquecido do cabeçalho, fiquei de coração apertado a pensar na sorte que tenho pelas pessoas que me cruzam ao caminho.

Ontem almocei com a Érica e com a Lénia. Foi um almoço feliz, descontraído, bom. À tarde dei por mim a pensar que não sabia como se sentiam, depois de terem emepnhado todos os esforços numa luta que acabou perdida. Mas lembro-me de pensar que gosto muito de as ter, às duas, no meu caminho. Elas são daquelas pessoas que valem a pena. Pela dedicação. Pelo empenho. Pela gratuidade.

E hoje, na impossibilidade de lhes dar um abraço, dou-lhes umas palavras, que valem de muito pouco. Ea agradeço, nas minhas orações, o facto de me terem cruzado o caminho. 


[Já seguem a paginola do Facebook? Aqui

quarta-feira, 5 de junho de 2013

UNICEF

Depois de visitarmos a sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, saímos de lá com o coração apertado, a desejar muito poder ajudar o mundo ainda que na nossa pequenez. Nem de propósito, dois dias depois de regressarmos a Portugal, uma voluntária da UNICEF bate-me à porta e pergunta se não queremos ajudar com uma contribuição periódica para as crianças que UNICEF apoia.

Pois que queremos. Muito. Primeiro porque somos uns privilegiados por termos uma vida maravilhosa onde a fome e as doenças não têm lugar. Depois porque queremos mesmo contribuir para que toda a gente viva num mundo melhor. E se com 0,50€ por dia (e até podem ser 0,40€) consigo isso, então vamos lá!

Comecei a fazer contas à vida e era, literalmente, um café a menos nos meus dias. Por cada café que eu não beba (os tais 0,50€), o dinheiro vai para uma caixinha. No final do mês, vão 15€ para a UNICEF, directamente para ajudar a educação dos meninos que a não têm. Porque esta foi a campanha com que mais me identifiquei, a da educação! - Também há as da saúde (12€ por mês), da sub-nutrição (7€ por mês) e da vacinação (10€ por mês), por exemplo. Não custa nada e estamos literalmente a tratar de crianças que precisam de nós!

Com o nosso donativo,  o da educação, a "UNICEF pode fornecer um quadro (com duas faces) para 12 salas de aula, 24 apagadores, 1.200 paus de giz branco e 1.200 de cor". Os dados de 2007 mostram que 93 milhões de crianças em idade escolar não frequentavam a escola. Ora eu acredito piamente que pessoas com melhor educação são pessoas que fazem deste mundo um lugar muito melhor.

Pensem sobre o assunto, façam conta aos vossos cafés - descafeinados, chocolates, bolos ou o que seja - e vejam lá se não querem também contribuir para esta causa!:)

É só clicar aqui. Não custa nada!

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Filhos..

Os nossos amigos estão todos - ou grande parte - a engravidar. De repente só ouvimos notícias de pessoas que estão à espera de bebés, mais ou menos propositadamente, mais novas ou mais velhas. E inevitavelmente, vem a pergunta então e vocês? Como se não tivesse só passado um mês desde que casámos e como se o casamento fosse só para ter filhos.



Por nós vão ter que esperar, é a pergunta chapa 5 que temos dado, que não cala muita gente mas que é a possível. Podíamos explicar todas as razões pelas quais não queremos filhos já, mas isso levaria a uma quantidade de juízos de valor que não estamos dispostos a ouvir, porque achamos que ninguém tem o direito de os fazer. Porque essas decisões são nossas, e não de domínio público. São de cada casal.

Se há coisa que me irrita é não pararem de perguntar às pessoas se não vão ter filhos. Ora, já pensaram que as pessoas podem não PODER ter filhos? Ou que podem, até, vejam lá, não QUERER? Há mil razões para não se querer ter um filho, e não têm que ser todas - como na generalidade se considera - egoístas. Esta coisa de se ter 'tempos' para tudo faz-me um bocadinho de confusão: Ah, já tens 28 anos, já estás na idade. (oi?) Ah, já tens casa, emprego e estás casada, está na altura (hum?). Ah, já casaram há 'x' tempo, bem que podiam ter...(é?).

Mas e se por acaso a pessoa estiver a pensar mudar de emprego? Ou se por acaso a pessoa ainda não se sentir preparada? Ou, se, por acaso, ainda só lhe apetecer passear e namorar porque acha que tem esse tempo em atraso? Ou se - pasme-se - por acaso os salários de dois nem forem nada de especial e nem derem para esticar para acolher um bebé?! Ou se o emprego é novo e não é lá muito sensato engravidar assim à bruta? Ou se estiver, sei lá, a fazer um MBA, a viver longe do marido, a passar por um problema de saúde, a lidar com cinquenta mil problemas diferentes?

O relógio biológico existe e funciona - confere! - mas há que não perder a racionalidade. Nunca mais me esquecerei de um casamento a que fui, há uns tempos, em que alguém - aí uns cinco anos mais novo - me acusava de ser egoísta porque não queria ter filhos já. Ora, eu nem namorado tinha, quanto mais um hipotético pai para um filho. E para além disto, expliquei-lhe que era uma altura da minha carreira em que não podia pensar nisso. E CÁBUM!!

Caiu o Carmo e a Trindade, que eu era uma pessoa horrível porque só pensava no trabalho. Decidi remeter-me ao silêncio. Porque me daria demasiado trabalho explicar que, mesmo que fosse casada com o homem da minha vida [como é o caso, atualmente] não tinha ninguém que cuidasse de uma criança enquanto estava a trabalhar. E que o meu trabalho não era das 9h às 17h. Ah!, e os avós? Então, para além de eu nem viver ao pé dos meus pais, não me parece que a eles lhes encante a ideia de ficarem a cuidar de um neto. Porque o filho é meu. Mas eles podem ajudar... Podem! Um fim-de-semana ou outro. Não podem ficar com a vida empenhada porque eu decidi ter um filho e não posso pagar a alguém que me fique com a criança enquanto estou a trabalhar. Não podem ficar com a vida empenhada porque eu tenho um trabalho com horários marados. E a conversa seguiu até eu me decidir calar porque realmente não vale a pena. Porque ainda há-de vir o tempo em que as pessoas vão perceber que ter um filho não é uma decisão que se tome "porque já estamos casados há não sei quanto tempo".

Toma-se quando o casal quer. Quando fizer sentido. Quando os dois estiverem preparados para que a vida mude para sempre. Para sempre! Porque nada voltará a ser como antes. Não quer dizer que seja mau, obviamente que não é, mas exige uma adaptação. Exige que se pense. Que se reflicta. E se para alguns isso é algo fácil de decidir, para outros não...Cada pessoa, cada casal, tem o seu tempo. Tem as suas limitações. Tem a sua vida, em resumo. E pô-las em causa em função das nossas próprias decisões não só é de um tremendo mau gosto como é absolutamente despropositado.




Ocorreu um erro neste dispositivo